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    Dólar fecha a R$ 4,44 e bate novo recorde; Bovespa cai 7%

    Repercussão da epidemia mundial de coronavírus e confirmação do primeiro caso da doença no Brasil derrubaram o pregão nesta quarta-feira

    Luísa Melo Do CNN Brasil Business, em São Paulo

    A bolsa de valores brasileira, a B3, despencou 7% nesta quarta-feira (26), na volta do recesso prolongado de carnaval. Foi o maior tombo desde 18 de maio de 2017, quando foram divulgadas as primeiras notícias sobre a delação da JBS e a perda chegou a 8,8%.

    O Ibovespa, principal índice da B3, encerrou o dia em queda de 7% a 105.718 pontos. A queda se deu diante de temores de que a epidemia de coronavírus afete o crescimento da economia global e com a confirmação do primeiro caso da doença no Brasil.

    Perto do fechamento, as ações das companhias aéreas tinham as maiores perdas dentro do Ibovespa. As preferenciais da Gol recuavam 14,6%, enquanto as da Azul caíam 13,2%. Os papéis da Vale e da Petrobras, que têm grande peso na composição do índice, também caíam ao redor de 9%, ajudando a puxar a bolsa para o vermelho.

    No mercado de câmbio, o dólar subiu 1,1% e renovou recorde de fechamento nesta quarta, vendido a R$ 4,44, maior valor nominal (sem considerar a inflação) já registrado.

    Os investidores acompanham o avanço do surto de coronavírus fora da China, sobretudo na Europa. Na segunda e na terça-feira, enquanto o mercado esteve fechado no Brasil, as principais bolsas globais registraram quedas de 6% a 7%.

    A epidemia de coronavírus já preocupava os mercados mundiais porque pode desacelerar o crescimento da China, segunda maior economia do mundo e protagonista no comércio global. Agora, crescem também as dúvidas quanto ao impacto do vírus na economia europeia e os reflexos na atividade global como um todo. 

    Diante da incerteza, os investidores migram recursos de mercados emergentes, como o Brasil, para outros considerados mais seguros, como o americano. O aumento da demanda por dólares faz a cotação subir.

    “O caso [de coronavírus] no Brasil é isolado, tem muito pouco impacto. O que está mais puxando essa alta do dólar é a expansão do coronavírus na Europa. O mercado já tinha provisionado uma redução do crescimento da economia da China, mas agora também começa a surgir uma expectativa de redução na economia europeia, que já está enfraquecida”, aponta o sócio e chefe da mesa de câmbio da Frente Corretora, Fabrizio Velloni. “É um movimento clássico: quando tem uma epidemia, o investidor ou vai se hedgear [buscar proteção] em dólar ou em ouro”, conclui.

    Petrobras e Vale em queda

    No caso do Brasil, um desempenho mais fraco da atividade econômica na China pode prejudicar as exportações, por exemplo, já que o país é importante comprador de commodities, sobretudo minério de ferro. A indústria brasileira também pode sofrer com o desabastecimento de peças e componentes importados do mercado chinês. Já a Europa é relevante importadora de produtos agrícolas brasileiros, o que também afetaria o desempenho comercial do Brasil.

    Para Velloni, se a indústria da China for afetada com mais força e por um longo prazo pela epidemia do coronavírus, poderá haver escassez de oferta de produtos chineses no mercado americano, o que geraria uma pressão inflacionária nos Estados Unidos. “Assim, o país poderá elevar os juros para desestimular o consumo [e, com isso, tentar conter a alta dos preços]”, diz. 

    No atual cenário de juros baixos no Brasil, taxas mais altas nos EUA poderiam gerar um fluxo de fuga de dólares para o país, elevando ainda mais a cotação do dólar.

    Para Velloni, se a indústria da China for afetada com mais força e por um longo prazo pela epidemia do coronavírus, pode haver escassez de oferta de produtos chineses no mercado americano, o que geraria uma pressão inflacionária nos Estados Unidos. “Assim, o país poderá elevar os juros para desestimular o consumo e tentar conter a alta dos preços”, diz. 

    No atual cenário de juros básicos baixos no Brasil, taxas mais altas nos EUA poderiam gerar um fluxo de fuga de dólares para o país, elevando ainda mais a cotação do dólar.

    Intervenção do BC

    O dólar fechou em recorde mesmo após intervenção do Banco Central, que ofertou nesta quarta 10 mil contratos de swap tradicional com vencimento em agosto, outubro e dezembro de 2020, totalizando US$ 500 milhões.

    Na quinta-feira, a autoridade monetária ofertará até 20 mil contratos de swap tradicional com vencimento em agosto, outubro e dezembro deste ano, equivalentes a US$ 1 bilhão. O leilão ocorrerá entre 9h30 e 9h40.

    Coronavírus no Brasil

    O Ministério da Saúde confirmou nesta quarta o primeiro caso positivo de coronavírus no Brasil. O paciente é um homem de 61 anos que mora em São Paulo e viajou para a Itália, país mais afetado pelo surto na Europa, entre 9 e 21 de fevereiro. 

    A contaminação pelo vírus foi diagnosticada pelo hospital privado Albert Einstein e confirmada em contraprova realizada pelo governo brasileiro. Outros 20 casos da doença estão sendo investigados no Brasil, 12 deles de pessoas que também estiveram na Itália – o país já tem centenas de casos confirmados.

    Nesta quarta, pela primeira vez, o número de novos casos diários de coronavírus confirmados fora da China superou a quantidade de notificações no país, epicentro da doença, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). A entidade alertou, porém, que não há necessidade de pânico por conta da epidemia. O vírus já infectou mais de 80 mil pessoas em todo o mundo e a taxa de mortalidade é de cerca de 2%.

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