Economia: 'Riscos hidrológico e de energia podem limitar recuperação do PIB'

Cabe dizer que a recuperação plena da economia só será possível com a retomada da agenda de reformas e consolidação fiscal, diz Secretaria de Política Econômica

Thais Herédia, da CNN
Usina hidrelétrica de Furnas, em São José da Barra (MG)
Usina hidrelétrica de Furnas, em São José da Barra (MG)  • Foto: Paulo Whitaker/ Reuters
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A surpresa positiva com resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre foi comemorada pela equipe econômica, que publicou análise do resultado. A novidade na leitura oficial sobre o atual quadro foi a inclusão do risco hidrológico e os impactos na oferta de energia como “limitador” da perspectiva de continuidade da recuperação.

O relatório assinado pela Secretaria de Política Econômica afirma que a situação “está sendo observada com a atenção necessária, de forma a evitar ou mitigar seus efeitos”.

A falta de chuvas colocou as regiões central e sudeste do país sob risco hidrológico, ou seja, ameaça ao abastecimento dos reservatórios e também do consumo da água. Com a matriz energética baseada na geração hidrelétrica de energia, com 63% do total, o Brasil está com termelétricas acionadas, o que levou tarifas da conta de luz para o patamar mais alto do sistema, o nível 2 da bandeira vermelha.

Para equipe de Paulo Guedes, o resultado do PIB entre janeiro e março “mostra forte recuperação da atividade econômica, mesmo com recrudescimento da pandemia” e provoca revisões para o crescimento de 2021, deslocando o eixo das estimativas de algo em torno de 3% para 4%. A previsão do Ministério da Economia, feita há três semanas, é de 3,5% de aumento na atividade. Mas este dado já está defasado e será revisado em breve.

Assessores da Economia ouvidos pela coluna afirmam que a próxima revisão oficial será feita apenas em julho e preferem aguardar mais um pouco para sinalizar se a nova estimativa vai se aproximar do que maioria dos analistas do mercado já esperam, ou seja, cerca de 4,5% para o PIB.

A análise da SPE não deixa de ressaltar os desafios que o país ainda tem pela frente para consolidar uma recuperação mais sólida. “Cabe ressaltar que a recuperação plena e pujante da economia só será possível com a retomada da agenda de reformas e consolidação fiscal”, diz o documento.

O balanço feito pela Economia sobre o desempenho da atividade no primeiro trimestre apontou seis fatores principais que explicam a surpresa com alta de 1,2%. “Cenário externo favorável, forte recuperação do investimento financiado pelo setor privado, aumento da taxa de poupança, mercado de crédito em expansão, recuperação do emprego com a vacinação em massa e a redução do distanciamento social.”

A reversão “sustentável” o diagnóstico sobre o baixo crescimento da economia brasileira, na visão dos economistas do governo, passa por tratar as causas da baixa produtividade e da má alocação dos recursos. Para crescer com perspectiva de longo prazo, o país não deve abrir mão da agenda de reformas “pró-mercado: abertura econômica, privatizações e concessões, melhora dos marcos legais e aumento da segurança jurídica, melhor ambiente de negócios e redução da burocracia, correção da má alocação de recursos e facilitação da realocação de capital e trabalho na economia”.

Além de projetos que melhoram o ambiente de negócios e atualizam os marcos regulatórios para atrair investimento privado, a SPE insiste nas reformas tributária e administrativa como prioridades a serem aprovadas este ano.

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