Em busca de investimentos privados, governo lança “mapa do níquel”

Plataforma reúne dados técnicos sobre depósitos do minério e busca ampliar a previsibilidade do setor mineral, além de facilitar a atração de investimentos privados

Gabriel Garcia, da CNN Brasil, Brasília
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O SGB (Serviço Geológico do Brasil) lançou nesta segunda-feira (2) um painel digital que reúne dados técnicos sobre o potencial do subsolo brasileiro para a exploração de níquel.

A iniciativa busca dar mais previsibilidade ao setor mineral e ampliar a atração de investimentos privados.

A ferramenta consolida informações de 30 depósitos e dez minas distribuídas em diferentes estados, permitindo uma visão integrada sobre localização, tipo de minério e viabilidade dos recursos minerais.

Os dados foram levantados no projeto “Avaliação do Potencial de Níquel do Brasil – Fase 1”.

Para a iniciativa privada, o painel reduz incertezas geológicas e regulatórias ao organizar, em um único ambiente, informações técnicas sobre teor do minério, sistema mineral e estágio dos empreendimentos junto à ANM (Agência Nacional de Mineração).

Na prática, o mapeamento facilita a tomada de decisão, diminui riscos exploratórios e aumenta a segurança para aportes de longo prazo.

A demanda por esse tipo de informação cresce em meio à corrida global por minerais críticos e estratégicos, insumos essenciais para a produção de baterias de veículos elétricos, semicondutores e tecnologias ligadas à transição energética.

Hoje, apenas 30% do território continental brasileiro é mapeado na escala 1:100.000, considerada mais detalhada. Isso significa que o país ainda desconhece com precisão mais de 70% do potencial do seu subsolo, um gargalo histórico para o avanço da mineração.

Mineradoras afirmam que o SGB e seus geólogos operam com uma capacidade orçamentária muito inferior ao potencial mineral do país.

Dados do SGB mostram que o país tem 2,37 bilhões de toneladas de rocha mineralizada e cerca de 19,7 milhões de toneladas de níquel estimado nesses depósitos. A maior parte dos depósitos identificados é do tipo laterítico, que responde por cerca de 83,6% do total, com destaque para o Pará, onde se concentram projetos de grande escala.

O níquel é um dos principais minerais críticos da transição energética. Ele é utilizado na fabricação de baterias de íons de lítio, especialmente em tecnologias de maior densidade energética, empregadas em veículos elétricos, sistemas de armazenamento de energia, além de aplicações na indústria aeroespacial, defesa e aço inoxidável.

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