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    Em meio a temor com cena fiscal, BC inicia reunião que pode marcar fim de quedas da Selic em 2024

    Segundo pesquisa do BTG Pactual, mais de 80% do mercado espera manutenção da taxa nesta quarta-feira; 53% entendem que não haverá mais cortes neste ano

    Banco Central do Brasil
    Banco Central do Brasil Raphael Ribeiro/BCB

    Pedro Zanattada CNN São Paulo

    O ciclo de cortes da taxa básica de juros do Brasil pode ser encerrado nesta quarta-feira (19), quando o Banco Central (BC) divulga a decisão dos nove membros do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre os rumos da política monetária.

    A previsão de uma manutenção da Selic a 10,50% ao ano já é a principal aposta de mais de 80% do mercado, segundo um relatório do BTG Pactual.

    Se concretizada a aposta, o fim do ciclo mais frouxo se consolidará mais cedo do que o governo e o próprio mercado projetavam no início do ano.

    Um levantamento feito pelo BTG – com gestores de carteiras, “traders”, economistas e estrategistas de instituições financeiras – mostrou que 83% dos participantes enxergam uma manutenção dos juros ao fim do encontro.

    Já com relação ao patamar da taxa para 2024, 58% dos entrevistados veem que a Selic deva encerrar o ano em seu nível atual. Outra parcela de 32% prevê os juros encerrando 2024 entre 10% e 10,25%.

    O olhar menos otimista com a política fiscal tem sido evidenciado ao longo do primeiro semestre. No período, houve uma forte deterioração das expectativas dos agentes com os rumos da política fiscal do governo.

    O temor se intensificou nas últimas semanas, quando a Fazenda anunciou uma Medida Provisória que mexe nos créditos de PIS/Cofins para compensar a desoneração da folha de pagamentos, movimento que gerou grande oposição do setor produtivo.

    Para os agentes do mercado financeiro, a desconfiança com a condução econômica por parte do governo pode piorar, isso porque, segundo o levantamento, a aposta majoritária (71%) é de que deve haver uma nova mudança na meta fiscal deste ano durante o segundo semestre.

    Porém, uma contrapartida pelo lado dos gastos é vista, por 74% dos participantes, como 74% “muito baixa” ou “baixa”.

    O próprio BTG é uma das instituições que já revisaram as expectativas para os juros em 2024. Em seu relatório, o banco diz que o Copom deve concluir o ciclo de redução da taxa Selic nesta quarta e cita incertezas globais, atividade doméstica resiliente e expectativas de inflação não ancoradas como os principais fatores para a decisão.

    Inflação preocupa

    A trajetória do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – que mede a inflação oficial do país – é um dos pontos que as instituições financeiras têm chamado a atenção e que pode exercer grande influência para a decisão do Copom.

    Em maio, o indicador registrou alta de 0,46% impactado pelo preço dos alimentos, um valor considerado atípico para o período pelo mercado.

    “Após dois meses de impressões relativamente benignas, o IPCA de maio trouxe um resultado desfavorável, com uma deterioração no componente de serviços, com valores para serviços essenciais e serviços intensivos em mão de obra (e a média das medidas de inflação subjacente) acelerando e ficando acima da previsão”, diz o BTG Pactual em seu relatório.

    O Inter também bate na tecla dos preços citando o IPCA de maio e pede cautela dado o atual cenário, sobretudo com o impacto da desvalorização do real ante o dólar vista nas últimas semanas.

    A equipe econômica do banco estima que o índice de inflação encerre o ano em 4,3%, ante previsão anterior de 4%. Para 2025, o índice deve desacelerar para 3,8%. Neste cenário, o Inter também espera que a Selic encerre este ano no atual patamar de 10,5%.

    Quadro fiscal

    Com expectativas de uma inflação desancorada no curto e médio prazo e uma persistência do índice acima da meta de 3% tanto para 2025 quanto para 2026, o Goldman Sachs é incisivo em sua análise.

    Para a instituição, tal desancoragem com o horizonte inflacionário provavelmente reflete prêmios de política, ou seja, a expectativa de que as metas fiscais não serão cumpridas – seja por alteração da meta e/ou perda da meta devido a deslizes na execução – e que as autoridades fiscais e monetárias estão inclinadas a acomodar a inflação acima dos 3%.

    Ao falar sobre a previsão para o cenário fiscal, o banco é contundente e classifica, a partir de projeções para os próximos anos, a política do governo como tendo “baixa credibilidade”.

    “A expectativa mediana para o saldo fiscal primário de 2024 a 2027 permanece profundamente no vermelho, sendo respectivamente: -0,71%, -0,60%, -0,50% e -0,50% do Produto Interno Bruto (PIB), contrariando as metas do governo de impressões não negativas, atestando a baixa credibilidade e o fraco efeito de ancoragem do quadro fiscal”, diz a publicação.

    Como as demais, ao se deparar com tal cenário, a instituição também afirma esperar que a Selic encerre o ano de 2024 no atual patamar de 10,50%, ou seja, não haveria espaço para novas reduções.

    Cautela na decisão e também na comunicação. Na avaliação do Itaú, o BC deve, em unanimidade, optar por comunicar que a política monetária deve ser manter contracionista pelo tempo que for necessário até que se consolide o processo de desinflação e também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas.

    “Com base nessas condições (em especial, na deterioração das expectativas), mesmo com um câmbio eventualmente mais comportado do que os valores recentes, acreditamos que o comitê decidirá, por unanimidade, pela manutenção do patamar atual de juros, de 10,50%”, avalia a instituição.

    Incerteza refletida no mercado

    Com o aumento das incertezas sobre a política fiscal, o Ibovespa abriu a semana em queda e o dólar voltou a bater máximas desde o início do ano passado.

    Na sessão de segunda-feira (17), o índice brasileiro recuou 0,44%, aos 119.137 pontos, se mantendo no pior patamar desde novembro de 2023. A mesma cautela com o cenário doméstico deu novo fôlego ao dólar, que fechou com avanço de 0,76%, negociado a R$ 5,42.