Empresários do setor de bares e restaurantes divergem sobre reabertura em SP
Setor voltará a funcionar parcialmente a partir da semana que vem

Na próxima segunda-feira (6), bares e restaurantes voltam a funcionar em São Paulo, como parte do cronograma de flexbilização da quarentena no estado. O governador João Doria (PSDB) decidiu também antecipar a possibilidade de abertura de cinemas, teatros, academias e eventos de negócios.
No entanto, a reabertura do comércio tem gerado embate entre especialistas do setor de alimentação. Em entrevista à CNN, Alan Torres, diretor-geral da rede de restaurantes Johnny Rockets no Brasil, e Leo Henry, empresário e dono do La Casserole, Térreo bar e Infini bar divergiram sobre o assunto.
Primeiro a falar, Henry afirmou que, apesar da autorização, optou por não reabrir seus negócios. Segundo ele, ainda não é o momento ideal e pode potencializar o aumento do número de casos.
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"A gente acha que neste momento ainda é um pouco complicado cravar uma abertura segura. Tanto no ponto de vista de saúde, quanto econômico. Do lado da saúde, os restaurantes que abriram com sucesso na Europa, por exemplo, reabriram quando a curva de contágio estava estabilizada", disse.
"Antes disso, eles enfrentaram vários fechamentos e outros problemas até maiores. Do lado econômico, a gente sabe que os lugares que reabriram estão tendo faturamento de, no máximo, 20% e isso não significa uma resolução do problema e sim um aprofundamento dela", explicou.
Torres, por sua vez, defende a reabertura das unidades, seguindo os protocolos de segurança e higiene. Segundo ele, quase toda as unidades dos restaurantes estão em shoppings, o que têm sido diretamente impactadas com o fechamento das praças de alimentação destes empreendimentos.
"O Johnny Rockets é uma empresa americana com extensão nacional e temos monitorado as movimentações do mercado em todos os aspectos durante esta pandemia, além das recomendações do governo. Cerca de 90% das nossas operações estão dentro de shoppings e existe algumas recomendações para que seja reaberto", acrescentou.
"A gente entende que é necessário ter cautela e seguir os protocolos exigidos e nós vamos ficar atentos quanto a isso. Entendemos a preocupação, mas é importante dar o ponta pé inicial", explica.
Questionado sobe a eficácia das medidas anunciadas nos protocolos, os empresários explicaram que algumas delas já são de conhecimento da população, o que 'facilita' parte do processo.
"Algumas destas medidas a população já conhece como o distanciamento, uso de máscaras, álcool em gel e horário reduzido. O setor é um dos mais preparados para a reabertura com segurança. Entretanto, acredito que este não seja o momento", avaliou Henry.
"Por sermos uma rede internacional, temos monitado algumas ações na Europa e nos EUA. Portanto, temos percebido que é muito mais uma questão de educação da população do que, efetivamente, dos protocolos que são publicados dentro dos órgãos", completou Torres.