Estabilidade e processo democrático são condições para Brasil se vender no exterior, diz Trabuco
Luiz Carlos Trabuco, executivo do segundo maior banco privado brasileiro, também afirmou que melhora das condições das famílias mais pobres pode ajudar país voltar a crescer

Ter estabilidade e um processo democrático são condições para que o Brasil possa atrair investidores estrangeiros. A avaliação é do presidente do Conselho de Administração do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco.
Em entrevista ao CNN Brasil Business durante o Fórum Econômico Mundial, o executivo do segundo maior banco privado brasileiro disse que estrangeiros confiam no processo eleitoral e que a melhora das condições das famílias mais pobres pode ajudar o Brasil a voltar a crescer. “Quando as classes menos favorecidas se transformam em consumidores, isso gera PIB”.
Presença frequente em Davos, Trabuco segue uma longa agenda com investidores e clientes do Bradesco em todas as edições do Fórum Econômico Mundial.
Em 2022, não foi diferente e o interesse estrangeiro pelo Brasil, segundo ele, se mantém. Para que esses planos se tornem realidade, porém, o presidente do Conselho do Bradesco diz que é preciso ter um quadro de estabilidade das regras, inclusive com processo democrático nas eleições.
“O Brasil é uma oportunidade muito interessante. Então, a estabilidade de regras, a previsibilidade, a força e a pujança das instituições e de um processo democrático dão condições ao Brasil de poder se vender, de se colocar no mundo de uma maneira muito adequada”, disse Trabuco. “Eu acho que esse é o desafio que temos”.
Sem mencionar nomes na corrida eleitoral, ele explicou que, em Davos, investidores estrangeiros não têm demonstrado preocupação com as eleições no Brasil porque há confiança no processo eleitoral.
“Não há preocupação. Há, simplesmente, a crença de que a democracia brasileira sempre sai fortalecida dos processos eleitorais”.
Enriquecer famílias gera PIB
Para o longo prazo, Trabuco defende que o mercado interno é um grande bônus do Brasil e que a melhora a vida das famílias mais pobres gera crescimento da economia.
“A demografia brasileira é a segurança de que podemos aumentar o mercado interno, o que é fundamental para fazer a economia girar e crescer. Quando as classes menos favorecidas se transformam em consumidores, isso gera PIB. E o Brasil precisa ter crescimento para redução da desigualdade ou aumento da qualidade de vida”.
No começo do mês, o Bradesco aumentou a previsão de crescimento do PIB brasileiro em 2022 de 1% para 1,5%.
O argumento é que a atividade doméstica tem se mostrado mais resiliente que o esperado inicialmente. Ao mesmo tempo, porém, o banco elevou a expectativa de inflação no ano, de 6,9% para 7,5%.


