Estamos vivendo crise institucional gravíssima, diz Srour, do UBS GWM

Cenário é composto pela novela do IOF, após o governo recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a derrubada do decreto do presidente Lula pelo Congresso

Da CNN Brasil
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Em meio à novela do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) após o governo recorrer ao STF (Supremo Tribunal Federal) contra a derrubada do decreto do presidente Lula pelo Congresso, a diretora de macroeconomia do UBS Global Wealth Management, Solange Srour, alertou sobre uma grave crise institucional no Brasil.

"Está claro que estamos vivendo uma crise institucional bastante grave [...] Em termos macroeconômicos, estamos vendo uma deterioração muito grande das perspectivas ficais", disse Srour em entrevista ao Capital Insights, parceria entre Broadcast e CNN Money.

O programa é transmitido todas as quintas-feiras, às 19h.

Segundo Srour, não há como cumprir metas só com mais impostos, tornando o debate fiscal uma pauta urgente.

"O Congresso expressa o descontentamento da sociedade (com aumento de impostos)", apontou a economista, destacando a falta de vontade política para o enfrentamento da pauta de corte de gastos de forma estrutural.

"A questão é que temos um gasto obrigatório que não é consistente com a regra fiscal, que já não era consistente com a estabilização da dívida", considerou.

Srour destacou a necessidade de reformas estruturais, como a administrativa e da Previdência.

Para a economista, a meta de superávit de 0,25% do PIB para 2026 está completamente em risco e o arcabouço deve ser modificado no próximo ano. O governo recém-eleito precisará ajustar os gastos, avaliou Srour, ressaltando que a trajetória da dívida é insustentável e, mesmo se o juro cair, o que importa é a taxa longa.

Do lado da atividade, o mercado de trabalho está pujante e 2025 ainda é um ano de crescimento para o país. No entanto, as expectativas de inflação estão desancoradas, e o Banco Central não tem alternativa a não ser adotar uma postura rígida.

A economista ressaltou que o espaço para cortes na Selic depende da situação fiscal, e que o cenário eleitoral incerto influenciará essa decisão.

No cenário internacional, Srour alertou que o mercado subestima os riscos dos Estados Unidos e que guerras não estão precificadas.

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