Ex-banqueiro do Goldman Sachs é condenado a 10 anos de prisão por caso de corrupção
Roger Ng foi acusado de ajudar em esquema de corrupção que desviou US$ 4,5 bilhões do fundo soberano da Malásia, o 1MDB
Um ex-banqueiro do Goldman Sachs, Roger Ng, foi condenado a 10 anos de prisão, nesta quinta-feira (9), por ajudar em um esquema de corrupção que saqueou bilhões de dólares do fundo soberano da Malásia, o 1MDB.
O júri no tribunal federal do Brooklyn considerou Roger, que foi chefe de banco de investimento na Malásia, culpado de ajudar seu ex-chefe Tim Leissner a desviar dinheiro do fundo, lavar os lucros e subornar funcionários do governo para fechar negócios.
As condenações decorrem de cerca de US$ 6,5 bilhões em títulos que o banco ajudou o 1MDB, fundado para financiar projetos de desenvolvimento no país, a vender em 2012 e 2013.
Dessa quantia, US$ 4,5 bilhões foram desviados por autoridades, banqueiros e seus associados, em um dos maiores escândalos da história de Wall Street, segundo os promotores do caso.
Os fundos foram usados para comprar imóveis de luxo, joias e obras de arte e financiar o filme de Hollywood "O Lobo de Wall Street", de acordo com o Departamento de Justiça.
A juíza distrital dos EUA, Margo Brodie, que impôs a sentença, disse que Roger Ng e seus co-réus "roubaram efetivamente dinheiro" destinado a projetos de infraestrutura e desenvolvimento econômico para ajudar o povo malaio.
"Há uma necessidade crítica de deter crimes de pura ganância como este", disse a juíza.
O escândalo do 1MDB também abalou a política da Malásia. O ex-primeiro-ministro Najib Razak está cumprindo uma sentença de 12 anos de prisão depois de ser condenado por um tribunal do país por receber US$ 10 milhões de uma antiga unidade do 1MDB.
Najib sempre negou irregularidades.
Em um processo na semana passada, os promotores federais do Brooklyn incitaram a juíza a condenar Roger a 15 anos de prisão, chamando-o de "banqueiro profundamente corrupto" e argumentando que uma sentença rígida era necessária para dissuadir outros profissionais financeiros de subornar funcionários para ganhar negócios.
“A corrupção estrangeira mina a confiança do público nos mercados e instituições internacionais”, escreveram os promotores. "Isso destrói a fé das pessoas em seus líderes e é profundamente injusto com todos os outros que seguem as regras."
Em seu próprio pedido de sentença em 25 de fevereiro, Roger Ng pediu que ele não fosse condenado à prisão e que pudesse retornar à Malásia. Ele passou seis meses em uma prisão no país antes de renunciar ao direito de contestar a extradição para os Estados Unidos em 2018.
Roger se declarou inocente e argumentou que US$ 35 milhões em pagamentos de propinas que ele foi acusado de receber eram, na verdade, um retorno de um investimento que sua esposa havia feito.
Tim Leissner, antigo chefe do Goldman Sachs no Sudeste Asiático, se declarou culpado e testemunhou contra Roger Ng como parte de um acordo de cooperação. Ele ainda não foi condenado.
Jho Low, um financista malaio e suspeito de ser o mentor do esquema, foi indiciado ao lado de Roger em 2018, mas continua foragido. Autoridades da Malásia disseram que Low está na China, o que Pequim nega.
Em outubro de 2020, o Goldman concordou em pagar US$ 2,9 bilhões e sua unidade da Malásia se declarou culpada de uma acusação de corrupção.


