Fed deveria abandonar viés de corte de juros, dizem autoridades

Membros do banco central americano que discordaram do comunicado ​de política monetária alertaram para ​choque do petróleo

Por Howard Schneider e Michael S. Derby, da Reuters
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Autoridades do Federal Reserve que discordaram do comunicado ​de política monetária desta semana disseram que o ​choque do preço do petróleo decorrente da guerra dos Estados Unidos contra o Irã significa que o banco central dos EUA deveria deixar claro que não pode mais se inclinar para cortes na taxa de juros, dada a crescente incerteza sobre a trajetória da inflação e da economia.

Em sua votação mais dividida desde 1992, o Fed manteve nesta semana ⁠a taxa de juros de ​referência na faixa de 3,50% a 3,75%, mas manteve a linguagem que ​indica que seu próximo passo provavelmente seria um corte, consistente com um processo iniciado ⁠há cerca de 18 meses de redução ⁠dos altos níveis de custos de empréstimos usados para combater a inflação ​em ‌direção a uma posição mais "neutra".

No entanto, a inflação continua bem acima da meta de ⁠2% do Fed e tem aumentado, e os riscos sobre o resultado da guerra são tão agudos que as autoridades não têm tanta certeza de que os juros possam cair. Alguns ‌deles ⁠estão preocupados com ‌a possibilidade de que, de fato, precisem aumentar.

"As pressões inflacionárias continuam a ser generalizadas, e o aumento dos preços do petróleo representa uma fonte adicional de pressão inflacionária", disse a ⁠presidente do Fed de Cleveland, Beth Hammack, que, ⁠assim como dois outros pares do banco central, apoiou a manutenção dos juros, mas discordou devido ao "viés de afrouxamento" no comunicado.

"Considero que essa tendência de afrouxamento não é mais apropriada, dadas as perspectivas", disse ela em um comunicado.

O presidente do Fed de Minneapolis, Neel Kashkari, disse achar que um fechamento prolongado do Estreito de Ormuz e qualquer outro dano à infraestrutura de ‌energia do Oriente Médio pode produzir um choque de preços grande o suficiente para que o Fed precise de "potencialmente uma série" de aumentos nos juros para manter as ⁠expectativas de inflação sob controle.

"Com o fechamento prolongado do Estreito de Ormuz e possíveis danos adicionais à infraestrutura de energia e commodities no Oriente Médio (...) a onda de choque de ​preços pode ser muito maior do que o esperado atualmente", disse Kashkari em comunicado separado.

"Provavelmente, ​teríamos que seguir com uma resposta forte de política monetária. Os aumentos da taxa de juros, potencialmente uma série deles, podem ser justificados mesmo com o risco de mais fraqueza no mercado de trabalho."

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