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    Fed eleva juros dos EUA em 0,75 ponto percentual, na maior alta desde 1994

    Com a alta, a taxa de juros norte-americano passou para o intervalo de 1,5% a 1,75% ao ano

    João Pedro Malardo CNN Brasil Business* em São Paulo

    O Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, anunciou que elevou os juros do país em 0,75 ponto percentual, na maior alta desde 1994 enquanto o país tenta lidar com a inflação em nível mais alto em 40 anos.

    Com a alta, a taxa de juros norte-americana passou para o intervalo de 1,5% a 1,75% ao ano. É a terceira elevação consecutiva em 2022, após o início de um ciclo de alta de juros. A expectativa do mercado é que na próxima reunião, em julho, a taxa suba 0,75 p.p. novamente.

    O movimento seguiu as expectativas do mercado, que passaram a apostar nesse patamar nesta semana, mas divergiu de sinalizações anteriores da autarquia. O diretor do Fed, Jerome Powell, já havia afirmado que os juros não seriam elevados nessa magnitude.

    Na ata da última reunião da autarquia, em maio, os dirigentes concordaram que seria apropriado elevar a taxa de juros em 0,5 ponto percentual nas próximas reuniões, em junho e julho.

    Segundo André Perfeito, economista-chefe da Necton, a decisão indica que o Fed “resolveu enfrentar mais diretamente a inflação, e esta alta está reorganizando a curva de juros por lá, sancionando a visão mais altista dos juros”.

    Os investidores passaram a projetar a alta de 0,75 p.p. após um dado de inflação maior que o esperado referente a maio, indicando que o processo inflacionário no país não atingiu um pico. Além disso, cresceram os temores de que a economia dos Estados Unidos entrará em recessão em 2023, como consequência do ciclo atual de alta de juros.

    No comunicado sobre a decisão, o Fed informou que a mediana de projeções dos integrantes do Comitê de Mercado Aberto (FOMC) para a taxa terminal do ciclo, em 2023, subiu de 2,8% para 3,8%. Além disso, a mediana para 2024 subiu de 2,8% para 3,4%, indicando uma taxa maior por mais tempo.

    Já a projeção para a taxa de desemprego ao fim de 2022 foi elevada para 3,7% ante 3,9%, e para a inflação, de 5,2% ante 4,3%. O Fed reduziu as expectativas para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2022, que caiu de 1,7% ante 2,8%. Para 2023, foi mantido em 1,7%.

    Os dirigentes da autarquia afirmaram que novas altas de juros devem ser apropriadas, em meio a uma atividade econômica acelerada e ganhos robustos no mercado de trabalho.

    Na visão do banco central, a inflação segue elevada, refletindo desequilíbrios de oferta e demanda ligados à pandemia, custos maiores de energia e pressões mais amplas nos preços.

    A guerra entre Ucrânia e Rússia e os lockdowns na China também foram citados como geradores de pressões inflacionárias.

    O Fed disse que está “altamente atento” a riscos inflacionários, buscando levar a inflação de volta à meta de 2%, mas que manterá o ritmo de redução do seu balanço, como anunciado em maio.

    Foi sinalizado, ainda, que a autarquia está preparada para ajustar sua política monetária caso surjam riscos que possam impedir o cumprimento das metas de inflação. A decisão de elevar os juros em 0,75 p.p., porém, não foi unânime, com 10 dirigentes votando a favor e um contra.

    *Com informações da Reuters