Fed mantém juros entre 3,5% e 3,75%, com guerra no Oriente Médio no radar
A decisão mais recente do BC dos EUA não foi unânime, com Stephen Miran votando a favor de uma redução da taxa de juros em 0,25 ponto percentual
As autoridades do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, mantiveram, pela segunda reunião consecutiva, o intervalo da taxa referencial de juros entre 3,5% e 3,75% nesta quarta-feira (18).
O encontro de março dos dirigentes aconteceu em meio a um cenário de guerra, que começou há menos de três semanas quando os EUA e Israel atacaram conjuntamente o Irã, dando início ao conflito no Oriente Médio.
Além disso, os responsáveis pela definição das taxas de juros nos Estados Unidos enfrentam um contexto complexo, de inflação mais alta e de um mercado de trabalho ainda instável.
No ano passado, o Fed reduziu a taxa de juros três vezes, nas reuniões de setembro, de outubro e de dezembro, em resposta ao enfraquecimento do mercado de trabalho, embora membros do Fed tenham afirmado em discursos públicos recentes que o conflito no Oriente Médio os está deixando cautelosos enquanto tentam avaliar o potencial impacto da guerra sobre a inflação.
"As implicações dos acontecimentos no Oriente Médio para a economia dos EUA são incertas", declarou o chair do Fed, Jerome Powell, em coletiva na tarde desta quarta (18).
Ainda assim, as autoridades do Fed apostam que os impactos nos mercados globais de energia provavelmente serão de curta duração, com a importante ressalva de que "simplesmente não sabem" como tudo vai se desenrolar, segundo Powell.
As autoridades sinalizaram essa visão de duas maneiras principais: em novas projeções econômicas, continuaram a prever um corte na taxa de juros este ano. As autoridades do Fed também revisaram para cima as projeções para a inflação em 2026, mas preveem uma desaceleração acentuada no ano seguinte.
“A previsão é de que faremos progressos no controle da inflação, (mas) não tanto quanto esperávamos”, sinalizou Powell. “A previsão da taxa de juros depende do desempenho da economia, então, se não virmos esse progresso, não haverá corte na taxa”.
Embora os 19 membros do banco central americano que apresentaram as previsões no conhecido como "gráfico de pontos" tenham visões diversas sobre o nível ideal das taxas de juros para este ano, a mediana indica um corte de 0,25 ponto percentual, sem nenhuma indicação do momento de tal movimento.
A decisão mais recente do Fed não foi unânime, com Stephen Miran votando a favor de uma redução da taxa de juros em 0,25 ponto percentual, marcando a maior sequência de votos contrários desde 2013. Até o momento, Miran votou contra todas as cinco decisões do Fed das quais participou desde que assumiu o cargo em setembro, defendendo taxas de juros mais baixas.
Nenhum formulador de política monetária viu a necessidade de aumentar as taxas até o final deste ano, embora um tenha previsto um aumento da taxa em 2027.
Powell sobre o futuro no Fed
A próxima reunião do Fed, no final de abril, é tecnicamente a última de Powell como presidente do Fed, mas existe a possibilidade de ele permanecer na função atual por mais algum tempo.
“Se meu sucessor não for confirmado até o final do meu mandato como presidente, eu atuarei como presidente interino até que ele seja confirmado. É o que a lei prevê”, disse Powell.
O senador republicano Thom Tillis, da Carolina do Norte, é o principal responsável pelo impasse. Ele afirmou que continuará bloqueando a nomeação, a menos que o Departamento de Justiça encerre a investigação sobre Powell. A procuradora federal de Washington D.C., Jeanine Pirro, cujo escritório lidera a investigação, sinalizou na semana passada que não tem intenção de fazer isso.
Na semana passada, Tillis afirmou que não mudaria a posição quanto à aprovação de Warsh.
"Recorrer da decisão apenas atrasará a confirmação de Kevin Warsh como o próximo presidente do Fed", afirmou Tillis em um comunicado.
Powell declarou que não tem a intenção de deixar o Conselho até que a investigação seja concluída. Powell não revelou se pretende permanecer no Fed após o término do mandato como chair.
"Tomarei essa decisão com base no que considero melhor para a instituição e para as pessoas que servimos", comaprtilhou ele.
Estagflação?
A guerra com o Irã representa um "choque estagflacionário", segundo Michael Pearce, economista-chefe para os EUA da Oxford Economics.
Isso significa que pode enfraquecer o crescimento e alimentar a inflação simultaneamente, embora a economia dos EUA esteja longe do estado em que se encontrava nas décadas de 1970 e início de 1980, quando tanto o desemprego quanto a inflação atingiam dois dígitos. A taxa de desemprego em fevereiro estava em um nível baixo de 4,4%; e a inflação, medida pelo índice de preços de Despesas de Consumo Pessoal, registrou 2,8% em janeiro.
“Eu reservaria o termo estagflação para um conjunto de circunstâncias muito mais graves. Essa não é a situação em que nos encontramos”, declarou Powell nesta quarta (18).
*Com informações da CNN Internacional


