Fed mantém juros nos EUA entre 3,5% e 3,75%, com efeitos da guerra no radar

Resultado era amplamente esperado e representa a terceira reunião seguida do Fomc de taxas inalteradas

Da CNN Brasil*
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Autoridades do Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos) mantiveram os juros nos EUA entre 3,5% e 3,75%, segundo decisão anunciada nesta quarta-feira (29).

O resultado era amplamente esperado e representa a terceira reunião seguida do Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto) de taxas inalteradas.

A decisão ocorre em meio às incertezas geradas pela guerra no Oriente Médio, iniciada após ataques dos EUA e Israel contra o Irã, há cerca de dois meses.

As negociações estagnadas e o fechamento contínuo do estratégico Estreito de Ormuz elevaram o preço de referência global do petróleo novamente acima de US$ 110 por barril, em comparação com cerca de US$ 70 antes do início da campanha, elevando os preços de energia.

"A inflação está elevada, em parte refletindo o recente aumento nos preços globais de energia", destacou o Fed em declaração de política monetária. "Os desenvolvimentos no Oriente Médio estão contribuindo para um alto nível de incerteza sobre as perspectivas econômicas", continuou.

Juntamente com a inflação elevada, "a taxa de desemprego pouco se alterou nos últimos meses", enquanto a economia continua a se expandir "em um ritmo sólido", destacou o Fed.

A inflação ao consumidor dos EUA medida pelo PCE - o indicador favorito do Fed - subiu a 2,8% nos 12 meses encerrados em fevereiro, conforme último dado disponível. A autoridade monetária persegue meta de 2%, e a expectativa é que os números de março, a serem divulgados nesta semana, aumentem ainda mais.

Desde a reunião de março, a inflação tem mostrado sinais de aceleração, com autoridades preocupadas de que preços globais do petróleo sustentadamente elevados possam evoluir de um choque pontual de preços para um aumento das pressões subjacentes sobre a inflação.

A decisão de manter as taxas inalteradas foi quase unânime, com apenas o membro do Conselho de Governadores do Fed, Stephen Miran, votando contra, a favor de taxas mais baixas, pela sexta reunião consecutiva.

O Fed normalmente reduz os juros se a inflação estiver desacelerando, o desemprego estiver aumentando (e com risco de subir ainda mais) ou uma combinação dos dois — o que não está acontecendo no momento nos EUA.

Kevin Warsh, indicado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, para suceder Jerome Powell, superou um obstáculo importante no processo de confirmação nesta quarta-feira (29), com o Comitê Bancário do Senado dos EUA tendo aprovado a indicação dele ao Fed. O nome agora vai ao plenário.

O indicado ao Fed, durante audiência de confirmação na semana passada, prometeu uma “mudança de regime” no banco central americano, caso seja confirmado, incluindo a possível redução do número de reuniões de política monetária a cada ano e a introdução de uma nova “estrutura” para a inflação.

Embora a mais recente declaração de política monetária tenha mantido a linguagem sobre como o Fed avaliará a "extensão e o momento de ajustes adicionais" nas taxas de juros, frase que aponta para cortes futuros como a próxima ação provável, três dirigentes fizeram objeções. A governadora do Fed de Cleveland, Beth Hammack, o governador do Fed de Minneapolis, Neel Kashkari, e a governadora do Fed de Dallas, Lorie Logan, embora tenham apoiado a manutenção da taxa de juros na faixa atual de 3,50% a 3,75%, "não apoiaram a inclusão de um viés de flexibilização na declaração neste momento" e votaram contra a nova declaração.

Futuro de Powell

O chair do Federal Reserve, Jerome Powell, confirmou nesta quarta-feira (29) que deixará o cargo de líder do banco central no próximo mês, mas pretende continuar o mandato como membro do Conselho de Governadores, que se estende até 2028.

Além disso, declarou que "confia na palavra" de Kevin Warsh, quando questionado se acreditava que o indicado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para liderar o banco central americano, resistiria à pressão política.

Esta foi a 66ª coletiva de imprensa de Powell desde que assumiu o cargo em 2018. Durante os oito anos dele à frente do Fed, o comitê de política monetária elevou a taxa básica de juros do banco central 15 vezes e a reduziu 11 vezes, segundo dados do Fed.

Na semana passada, Jeanine Pirro, procuradora dos EUA para o Distrito de Columbia, anunciou o encerramento de uma investigação criminal contra Powell relacionada às reformas na sede do Fed em Washington, D.C. No entanto, Powell apontou nesta quarta-feira (29) que Pirro afirmou “que não hesitaria em reabrir a investigação”.

Essa investigação contra Powell foi aberta depois de meses de críticas de Trump ao trabalho do chair do Fed e foi vista como uma forma de pressionar o BC americano por corte de juros.

Os membros do Fed têm reunião marcada para os dias 16 e 17 de junho.

*Com informações da CNN Internacional e da Reuters

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