Fed mantém juros nos EUA entre 3,5% e 3,75%; 3 membros votaram por aumento
Resultado era esperado pela maior parte do mercado e representa a quinta reunião seguida de taxas inalteradas
O Fed (Federal Reserve) manteve os juros nos Estados Unidos entre 3,5% e 3,75%, conforme decisão anunciada nesta quarta-feira (29). A decisão teve discordância de três dos 12 membros do Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto), que preferiam um aumento de 0,25 ponto percentual nesta reunião.
O resultado era esperado pela maior parte do mercado e representa a quinta reunião seguida do Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto) de taxas inalteradas.
Também é a segunda vez seguida que o colegiado mantém as taxas congeladas sob o comando de Kevin Warsh.
O resultado ocorre na esteira de novos saltos nos preços do petróleo, que chegaram ao patamar de US$ 100 na semana passada, com a continuidade das hostilidades no Oriente Médio e o temor de disrupção nas cadeias globais de abastecimento de energia.
O movimento arrefeceu nos últimos dias, com a suspensão dos ataques desde o fim de semana. Porém, nesta quarta, os preços voltaram a apontar para cima, rondando a casa de US$ 90, com novos ataques dos EUA e Arábia Saudita contra aliados do Irã no Iraque.
Silêncio no Fed
A inflação desacelerou acentuadamente em junho, de acordo com o mais recente Índice de Preços ao Consumidor, em grande parte devido à queda nos preços de energia naquele mês, à medida que as tensões diminuíram brevemente na guerra com o Irã.
O encorajador relatório de inflação levou os investidores a reduzir as expectativas de que o Fed precisaria elevar as taxas de juros pela primeira vez desde julho de 2023 para manter as pressões sobre os preços sob controle.
Mas o conflito no Oriente Médio escalou no início deste mês, provocando uma disparada nos preços globais de energia na semana passada. As tensões diminuíram nos últimos dias, levando os preços de energia a recuar de forma correspondente.
No entanto, o tráfego por duas vias navegáveis estratégicas — o Estreito de Bab al-Mandeb e o Estreito de Ormuz — permanece reduzido. Quase um quarto do petróleo mundial flui pela região. Enquanto isso, os dirigentes do Fed debatem como a rápida adoção da IA poderia impactar a inflação.
As correntes cruzadas econômicas tornaram difícil compreender para onde a inflação está se dirigindo. Agravando essa incerteza, Warsh recusou-se a oferecer orientações claras sobre as taxas de juros.
É uma falta de clareza não vista há anos.
"O Fed está analisando todos esses impulsos inflacionários e determinando se eles estarão presentes no longo prazo", disse Narayana Kocherlakota, professor de economia na University of Rochester e ex-presidente do Federal Reserve Bank of Minneapolis, à CNN.
"Mas está se tornando muito difícil saber o que o Fed vai fazer nos próximos meses, porque o presidente Warsh tem sido deliberadamente incomunicativo sobre como o Fed vai reagir a essas mudanças nas condições econômicas", disse Kocherlakota.
*Com informações da CNN Internacional e Reuters


