FGV indica inflação de 10,2% ao final de 2021, maior patamar em seis anos

Alimentos, energia elétrica e combustíveis puxam o indicador para cima

Lucas Janone, da CNN, no Rio de Janeiro
supermercado; alimentos
Indicador oficial será divulgado nesta terça-feira (11) pelo IBGE durante uma coletiva de imprensa  • Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
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Uma projeção realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), a pedido da CNN, mostrou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – conhecido como a inflação oficial do país - registrou um aumento de 0,7% em dezembro do ano passado.

Dessa forma, o indicador deve fechar em 10,2%, no acumulado de 2021, maior patamar já registado dos últimos seis anos.

O indicador oficial será divulgado, nesta terça-feira (11), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), durante uma coletiva de imprensa. Segundo dados do próprio instituto, o índice teve a maior alta do ano em outubro, quando apresentou o patamar de 1,25% somente naquele mês.

O preço dos combustíveis está entre os principais responsáveis pela alta da inflação brasileira em 2021. O custo da gasolina subiu principalmente por conta da desvalorização do real comparado ao dólar, o que fez encarecer o preço do petróleo repassado para as distribuidoras brasileiras.

Outros fatores para a alta do indicador foram a energia elétrica e o valor dos alimentos. Ambos os segmentos foram diretamente afetados pela pior escassez hídrica dos últimos 91 anos no Brasil. Com a falta de chuva, a luz ficou mais cara e as safras dos alimentos ficaram mais escassas em 2021.

O último recorde negativo da inflação havia sido em 2015, ano em que a instabilidade política no Brasil trouxe incertezas sobre o futuro da ex-presidente Dilma Rousseff na chefia do executivo. Naquele momento, o país registrou uma inflação de 10,67% ao ano.

Projeção para 2022

O economista da FGV Ibre, Matheus Peçanha, afirmou à CNN, nesta segunda-feira (10), que a projeção da inflação é otimista para 2022, em comparação com o momento vivido durante o ano passado. Segundo ele, nos próximos 12 meses, a inflação deve cair para níveis anteriores à pandemia de Covid-19, podendo chegar em um patamar de 5% ao ano.

“Eu vejo um cenário mais positivo ao longo de 2022. Não vamos mais nos preocupar com a escassez hídrica e, consequentemente, com a inflação dos alimentos, que aumentou muito no ano passado. Outro ponto importante é a melhora na importação e exportação de matéria prima. Isso porque mesmo com o aumento da Ômicron, o mercado vê um cenário positivo para o controle da pandemia. Acredito que todos esses fatores se sobressaiam sobre as incertezas políticas em ano de eleição e a incógnita da taxa de câmbio, sem saber se o dólar sobe ou desce”, disse o economista à CNN.

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