Fim da 6x1: Caminho é a colaboração coletiva, diz presidente da Amat
PEC aprovada na Câmara em maio deste ano foi um dos pontos de discussão durante evento Eloos, em Belo Horizonte
Em discussão no Congresso Nacional, o fim da escala 6x1 ainda é tema polêmico no mercado de trabalho. Cássia Marize Hatem Guimarães, secretária-geral adjunta da OAB-MG e presidente da Amat (Associação Mineira da Advocacia Trabalhista) acredita, no entanto, que o debate é o caminho para uma melhor mudança na jornada.
Ela falou durante participação no Eloos, evento promovido em parceria entre a Itatiaia e a CNN Brasil, em Belo Horizonte, nesta segunda-feira (3).
"Para uns pode ser que seja necessária essa mudança de jornada, mas uma única lei não conhece as peculiaridades dos setores. O caminho é a colaboração coletiva", afirmou a advogada.
A Câmara dos Deputados aprovou a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) sobre o fim da escala 6x1 em maio deste ano. A medida segue para análise do Senado, mas inicialmente prevê uma redução da jornada para 40 horas semanais, em uma escala de cinco dias trabalhados e dois dias de folga.
"A Câmara está certa em criar um mínimo de jornada e salário, mas as peculiaridades devem ser discutidas e negociadas", explica Hatem, que ainda adiciona: "Na construção civil, por exemplo, existem aqueles que moram em alojamentos. Durante os dias de folga, essa pessoa deverá permanecer lá? O acordo coletivo que vai ditar."
A presidente da Amat salienta que, atualmente, a discussão prevê que trabalhador tenha mais tempo livre para que produza melhor, mas que não é só sobre isso. De acordo com ela, os bancários que trabalham menos ainda fazem parte da classe que adoece.
"A discussão tem que ser mais ampla", afirmou.
Evento Eloos
Os desafios e as oportunidades da indústria brasileira estarão no centro do debate do quinto ciclo do Eloos.
O evento será realizado no Espaço Ava, em Belo Horizonte, e contará com a presença de lideranças políticas e empresariais para debater os potenciais do setor industrial no Brasil.
Neste ciclo, especialistas, executivos e autoridades debatem o papel da indústria na transformação da economia brasileira, os desafios e potencialidades de um setor estratégico para o desenvolvimento do país.
Programação
A programação será divida em três painéis. O primeiro debate será sobre os dois gargalos que travam a competitividade brasileira no comércio internacional: a fragilidade dos mecanismos de defesa comercial (antidumping) diante da concorrência desleal externa e o chamado "Custo Brasil" (logística cara, malha ferroviária pouco integrada, burocracia e tributação).
Na sequência, os participantes irão discutir sobre novos pactos de trabalho. O foco será na proposta de fim da escala 6x1 e seus efeitos sobre comércio, serviços e indústria, somada ao apagão de mão de obra técnica.
Por fim, o Eloos traz ao debate a diversificação industrial e o futuro do setor em Minas Gerais. Os participantes irão apontar como transformar um estado de base mineral em plataforma de diversificação industrial — siderurgia avançada, bens de capital, eletromobilidade e tecnologia.


