Fórum E-Commerce Brasil: menor gasto médio reflete endividamento, diz CEO
Bruno Pati afirma que há uma mudança de comportamento do consumidor frente ao cenário macroeconômioco no país, apesar da alta de faturamento semestral do setor
O CEO do E-Commerce Brasil, Bruno Pati, afirmou que a queda de 13,3% no ticket médio do primeiro semestre de 2026 para o e-commerce brasileiro reflete o cenário macroeconômico no Brasil, fruto de fatores como o endividamento da população.
Na 17ª edição do Fórum E-Commerce Brasil, nesta terça-feira (28), em São Paulo, Pati destacou o aumento do volume de vendas – alta de 16,9% em relação ao primeiro semestre de 2025, com faturamento de R$ 208,4 bilhões –, mas ponderou que um número menor no gasto médio por compra mostra uma mudança de comportamento do consumidor.
Os números são do relatório “Da Compra à Confiança — Panorama do e-commerce brasileiro no primeiro semestre de 2026”, divulgado nesta terça e elaborado pela Confi em parceria com o E-commerce Brasil.
“As empresas estão comprando itens menores e isso é uma mudança no comportamento do consumidor frente a diversos fatores econômicos, o cenário macroeconômico, como o endividamento [da população], que subiu”, destaca Bruno Pati.
Em relação à taxa de juros em patamar restritivo, com a Selic em 14,25% ao ano, o CEO diz haver um comportamento de equilíbrio no setor, uma estratégia a longo prazo, “mas que isso afeta diretamente o crédito, o que também é uma dificuldade para os pequenos negócios”, explica.
Para a Head de Seller Service da Amazon, Nicolli Souza, a queda do ticket médio também é reflexo da maturidade do e-commercer no Brasil. "Antes, os clientes pensavam só em comprar produtos de ticket alto, mas eles já veem o dia a dia deles podendo ser preenchido [com produtos de ticket mais baixo]", disse a executiva.
“O importante, realmente, é em que o vendedor parceiro precisa se adaptar, entender, que tipo é o produto dele”, destaca.
O estudo projeta um segundo semestre mais forte para o comércio eletrônico brasileiro, com projeção de faturamento de R$ 254 bilhões no período. Caso se confirme, o faturamento anual do setor atingirá R$ 462,5 bilhões em 2026, um crescimento de 18,6%.
Maior encontro do setor na América Latina
Com mais de 300 expositores e 600 palestrantes, o Fórum E-Commerce Brasil 2026 espera receber cerca de 45 mil pessoas no Distrito Anhemb.
O maior encontro de e-commerce da América Latina acontece com debates focados no avanço tecnológico, inteligência artificial e estratégias para a evolução do varejo digital.
O relatório "Da Compra à Confiança – Panorama do e-commerce brasileiro no primeiro semestre de 2026", desenvolvido pela Confi (via Neotrust e Aftersale) em parceria com o E-Commerce Brasil, foi apresentado durante a programação.
O levantamento foi embasado nas transações reais de 7 mil lojas e no comportamento de mais de 85 milhões de e-consumidores.
Entre os segmentos de destaque, a categoria de Moda e Acessórios liderou o faturamento, gerando R$ 19,3 bilhões.
Em seguida apareceram Eletrodomésticos (R$ 19,2 bilhões), Saúde (R$ 15,5 bilhões), Eletrônicos (R$ 14,4 bilhões) e Telefonia (R$ 14 bilhões).
O setor de Saúde registrou o maior crescimento percentual do semestre (+45,8%), puxado pela expressiva alta de 213% nas vendas de canetas emagrecedoras, que isoladamente movimentaram R$ 6,1 bilhões.
Outros vetores de tração no período foram as promoções de maio — com a data dupla do 5/5 e o Dia das Mães gerando R$ 1,88 bilhão em um único dia — e a proximidade da Copa do Mundo, que alavancou o comércio de televisores de tela grande (alta de 165,1% em modelos acima de 70 polegadas) e vestuário esportivo.
A competição do setor cresce ao longo dos anos junto à competitividade, e o empresário pode recorrer ao apoio da ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) para se posicionar.
O Ulisses Medeiros, Coordenador de Competitividade da agência, levanta pontos de atenção para os empreendedores que querem adentrar no e-commerce internacional, que exige uma preparação “um pouco diferente”.
“Um desses pontos é a própria embalagem, porque a empresa precisa pensar em logística, distribuição lá fora. A Apex pode ajudar por meio das soluções que temos de qualificação de empresas, pensando no comércio eletrônico internacional”, afirmou o coordenador, convidando as empresas a utilizarem as ferramentas online – como conteúdos disponibilizados pela ApexBrasil, além dos programas de fomento que visam lançar e apoiar negócios brasileiros no mercado internacional.


