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França sabe que deve cortar déficit e isso acalma mercados, diz FMI

Dívida pública francesa subiu para 114,1% do PIB no primeiro trimestre do ano, de 113,2% no final de 2024, bem acima dos 88% do PIB de toda a zona do euro

da Reuters
Diretor do Departamento Europeu do FMI, Alfred Kammer, em Washington  • 25/04/2025 REUTERS/Elizabeth Frantz
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Os políticos franceses concordam que as finanças públicas precisam ser reforçadas e esse consenso mantém os mercados financeiros calmos, apesar da instabilidade política que a França vem enfrentando desde meados de 2024, disse o chefe do departamento europeu do FMI (Fundo Monetário Internacional), Alfred Kammer.

Kammer disse que os fundamentos franceses são sólidos, o país não tem problemas de liquidez, os spreads dos títulos franceses em relação aos títulos alemães estão contidos e a França tem uma proposta de orçamento preliminar com um déficit orçamentário menor para 2026.

"Em termos desses riscos de curto prazo, eles não subiram a um nível em que seria necessário ficar excepcionalmente preocupado", disse Kammer à Reuters.

"O que nos torna positivos é que esperamos que o orçamento de 2026 seja apresentado de acordo com os compromissos franceses sob as regras fiscais europeias, a fim de reduzir o déficit orçamentário para 4,7% do PIB", disse Kammer.

A dívida pública francesa subiu para 114,1% do PIB no primeiro trimestre do ano, de 113,2% no final de 2024, bem acima dos 88% do PIB de toda a zona do euro, tornando a França o terceiro país mais endividado da UE, depois da Grécia e da Itália.

Kammer disse que, embora os partidos políticos franceses debatam calorosamente as medidas para reduzir o déficit, a direção da discussão -- maior consolidação fiscal -- é clara e indiscutível.

"O que acontece às vezes é que falta o reconhecimento e, então, o lembrete vem por meio da ação dos mercados", disse Kammer.

"Uma razão pela qual os mercados permanecem relativamente calmos é que a classe política e os membros do Parlamento entenderam claramente que esse é um problema que eles precisam resolver", disse ele, acrescentando que o entendimento não exclui uma diferença de pontos de vista sobre como a consolidação fiscal deve ser alcançada.

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