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    Galípolo afirma que mercado de trabalho aquecido pode tornar desinflação custosa e lenta

    Dissonância entre dados da inflação coloca o Brasil em situação mais delicada que seus pares

    Homem mostra carteira de trabalho no centro de São Paulo
    Homem mostra carteira de trabalho no centro de São Paulo 29/03/2019 REUTERS/Amanda Perobelli

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    O Brasil tem tido surpresas positivas no desempenho do mercado de trabalho, mas evidências mostram que esse cenário pode gerar um processo de desinflação mais custoso e lento, disse o diretor de Política Monetária do Banco Central, Gabriel Galípolo, nesta sexta-feira (07).

    “O Brasil também tem surpresas positivas do ponto de vista de um mercado de trabalho mais aquecido, mensurado por diversas métricas.”

    “Ainda que, como a gente deixou bem claro na comunicação oficial, não seja possível estabelecer de maneira clara esse ‘pass through’”, disse.

    “Mas a evidência que sempre se tem com o mercado de trabalho demonstrando estar mais aquecido é que se deve observar um processo de desinflação mais custoso e lento”, disse em seminário feito pela Universidade de Brasília.

    Galípolo ponderou que banqueiros centrais têm atuado com uma política monetária muito mais dependente de dados para a tomada de decisões recentemente por conta de “correlações inusitadas” entre variáveis econômica.

    Isso porque em uma série de países, incluindo o Brasil, o emprego tem mostrado dinamismo mesmo com os juros em nível elevado.

    O Brasil registrou uma taxa de desemprego de 7,5% nos três meses encerrados em abril, em um resultado abaixo do esperado que marcou o nível mais baixo de desocupação para esse período em 10 anos.

    A taxa básica de juros no país está atualmente em 10,50% ao ano, patamar ainda considerado restritivo.

    Galípolo voltou a afirmar que o Brasil tem vivido uma dissonância entre dados positivos de inflação corrente, acompanhados de expectativas desancoradas para a inflação à frente, o que coloca o país em situação mais delicada que seus pares.

    Na apresentação, o diretor afirmou que o consumo das famílias permanece resiliente no Brasil, o que pode ser explicado conjunturalmente pela conjugação de programas de transferência de renda, política de reajuste do salário mínimo e inflação em queda.

    No tema da atividade econômica, ele afirmou que o que preocupa mais o Brasil é o nível baixo de investimentos.