Galípolo desconversa sobre falas de Haddad a Campos Neto
Na terça-feira (24), ministro da Fazenda declarou que alta da Selic a 15%

O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, reforçou nesta quinta-feira (26) que conversa "muito" com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e ao se referir a uma declaração do ministro disse estar "absolutamente de acordo" com todas as decisões recentes do Copom.
A autoridade monetária se negou a mensurar qual seria o período considerado pela instituição como "bastante prolongado" de juros altos, que vem citando em seus comunicados oficiais e evitou criar rusgas com o chefe da equipe econômica.
"Não vamos responder quanto tempo é um período bastante prolongado de juros altos", disse em um momento. "Não vou dar nenhuma frase para me colocar contra Haddad ou contra o governo", falou em outro.
Na terça-feira (24), Haddad declarou que a alta da Selic de 0,25 ponto porcentual na semana passada, para 15% ao ano, foi contratada pelo antecessor de Galípolo, Roberto Campos Neto, que foi indicado pelo então presidente Jair Bolsonaro.
"Do ponto de vista da fala do ministro Fernando Haddad, eu acho que eu já respondi isso em vários outros momentos. O Fernando e eu conversamos muito e trocamos muitas impressões e ideias mesmo. Estamos trabalhando muito, temos afinidade, e acho que talvez reflita aí um pouco desse diálogo e da compreensão do que está sendo o trabalho lado a lado", disse o atual presidente do BC.
Galípolo disse que entende que essas perguntas precisam ser feitas pelos jornalistas, mas que, ao mesmo tempo, ele não tem obrigação de respondê-las.
Sobre a fala de Haddad, o presidente do BC ressaltou que a imprensa busca algum tipo de frase que possa colocá-lo contra o governo. "Mas infelizmente eu não vou dar essa frase também", afirmou.
Galípolo voltou a comentar sobre a reunião de dezembro, quando já era indicado como substituto, mas Campos Neto ainda presidia o BC. Nesse encontro, foram contratadas, além de uma alta de 1 ponto porcentual da Selic, mais duas sinalizações da mesma magnitude.
O atual presidente do BC disse que vem falando sobre a generosidade de seu antecessor desde dezembro do ano passado. "Então, faz seis meses que dou esta resposta", afirmou, lembrando que a decisão foi unânime e que, portanto, também contou com o seu voto.
"O Roberto foi muito generoso, não só pelo fato de eu ter votado junto com todos os demais, mas naquele momento especificamente, já de transição, de como ele permitiu que eu tivesse o protagonismo maior no processo", lembrou.
"Eu também estava participando. Então, eu reafirmo a mesma resposta que eu dei nos últimos seis meses. Não tem nenhum tipo de mudança na minha resposta. Eu entendo perfeitamente essa tentativa de ver se alguma coisa mudou, mas não mudou", garantiu Galípolo. "Entendo a necessidade de que ela seja feita várias vezes para ver se escapa alguma coisa que pode dar um headline legal. Mas eu vou ficar devendo essa para vocês."
*Com informações de Estadão Conteúdo


