Galípolo: Houve dificuldade em identificar servidores envolvidos com Master
Belline Santana e Paulo Sérgio de Souza foram afastados do Banco Central em janeiro de 2026 por suspeita de favorecimento ao Master

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou à CPI do Crime Organizado que as circunstâncias dificultaram que o Banco Central verificasse de imediato a prática de favorecimento de seus servidores com o Banco Master.
Belline Santana e Paulo Sérgio de Souza foram afastados do Banco Central em janeiro de 2026 após uma auditoria interna da autoridade identificar indícios de favorecimento.
Eles atuavam como chefe do Departamento de Supervisão Bancária e chefe adjunto do Departamento de Supervisão Bancária, respectivamente.
"Essa situação como um todo mostra o quão difícil era aquele momento. [...] Em novembro de 2024, o Master recebe uma elevação de rating. O banco tinha auditoria de seu balanço. A gestão anterior tinha solicitado a análise de ativos por três escritórios e tinha dois servidores fazendo a supervisão entendendo que não era o caso de migrar para casos mais graves", disse Galípolo.
De acordo com as investigações da Polícia Federal, Belline Santana e Paulo Sérgio de Souza revisavam minutas de documentos e comunicações institucionais elaboradas pelo Banco Master e destinados ao próprio Banco Central.
Os servidores sugeriam alterações e ajustes nos documentos antes de serem formalizados perante a autarquia supervisora.
As investigações indicam que Belline Santana e Paulo Sérgio de Souza também integravam um grupo de WhatsApp com Daniel Vorcaro, criado para facilitar a comunicação direta entre os envolvidos e permitir a discussão de estratégias de temas de interesse do Master.
Segundo a Polícia Federal, os servidores forneciam orientações estratégicas sobre a atuação do Banco Central em processos administrativos envolvendo o Banco Master, inclusive sugerindo abordagens e argumentos a serem utilizados em reuniões com dirigentes do BC.
Após a operação da Polícia Federal, a autarquia supervisora informou que identificou indícios de percepção de vantagens indevidas.
“De imediato, o Banco Central afastou cautelarmente os referidos servidores do exercício de seus cargos e do acesso às dependências da instituição e a seus sistemas, instaurou procedimentos correcionais para apuração dos fatos e comunicou os indícios de prática de crimes à Polícia Federal”, declarou o BC em comunicado.


