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Gigante da mineração investe em centro tecnológico de terras raras em MG

Australiana St George Mining vai construir em Araxá (MG) um centro tecnológico que contará com uma planta-piloto voltada a testes de extração e processamento de nióbio e terras raras

Gabriel Garcia, da CNN Brasil, Brasília
Mina de minério de ferro da Fortescue na Austrália
Mina de minério de ferro da Fortescue na Austrália  • Reprodução
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A australiana St George Mining, gigante do setor de mineração, anunciou a construção de um centro tecnológico em parceria com o CEFET-MG (Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais), em Araxá (MG).

Em setembro, a mineradora confirmou uma nova grande descoberta de terras raras de alto teor e nióbio no Projeto Araxá, comprado pela empresa em fevereiro de 2025. Após o anúncio, as ações da companhia chegaram a subir até 23,1%, para 0,096 dólar australiano, o maior valor desde maio de 2021.

O novo espaço contará com uma planta-piloto (versão reduzida de uma fábrica usada para testes) dedicada ao processamento de nióbio e terras raras.

A planta-piloto, que fará parte do St George Technological Centre, será instalada dentro do campus do CEFET em Araxá e terá capacidade para processar de 200 a 300 quilos de minério por hora, produzindo amostras de ferronióbio e concentrado de terras raras.

A St George vai financiar as obras e a compra dos equipamentos da planta-piloto, além de cuidar da operação nos primeiros três anos.

Esse período servirá para testar e otimizar os processos de extração e processamento dos minerais, garantindo que a tecnologia funcione de forma eficiente antes de ser aplicada em maior escala.

Nos dois anos seguintes, a empresa australiana e o CEFET vão operar juntos o centro tecnológico, garantindo a transferência de conhecimento e a capacitação da equipe brasileira.

Ao final do quinto ano, o CEFET assume totalmente a gestão e a operação do centro, consolidando a autonomia tecnológica nacional, um ponto sensível para o governo federal, que busca fortalecer a cadeia de minerais estratégicos e reduzir a dependência de tecnologia estrangeira.

Segundo a empresa, o governo vai conceder benefícios tributários que podem reduzir o custo total da operação em até 50%.

O projeto de Araxá concentra uma das maiores reservas de terras raras da América do Sul, com cerca de 40 milhões de toneladas de minério de alta concentração – insumos essenciais para a produção de baterias, semicondutores e tecnologias de ponta.

Em 2013, antes de ser adquirido pela St George, o terreno já havia passado por testes em uma planta experimental que operou por nove meses e conseguiu extrair minerais com mais de 99% de pureza, além de eliminar resíduos radioativos com sucesso.

Segundo o presidente da empresa, John Prineas, o acordo marca um avanço estratégico rumo a uma operação “da mina ao mercado”.

“Estamos confiantes em desenvolver tecnologias de produção otimizadas e sustentáveis, que darão suporte a acordos de fornecimento com parceiros estratégicos no Brasil, nos EUA e em outros países”, disse em nota

A empresa também destacou o apoio do governo brasileiro, que reconhece o potencial do projeto para fortalecer a cadeia nacional de metais críticos e atender parceiros internacionais.

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