Governo anuncia repasse de recursos de bets ilegais para segurança

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou que os recursos bloqueados serão destinados ao Fundo Nacional de Segurança Pública

Vitória Queiroz, da CNN Brasil, Brasília
Compartilhar matéria

O governo federal anunciou nesta sexta-feira (19) que vai bloquear recursos de bets ilegais e repassá-los para ações de segurança pública.

Em publicação nas redes sociais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) informou que os recursos bloqueados serão destinados ao Fundo Nacional de Segurança Pública e reforçarão o combate às estruturas financeiras do crime organizado no país.

Como parte da iniciativa, a SPA (Secretaria de Prêmios e Apostas) irá notificar as instituições financeiras e de pagamentos para que bloqueiem, em até 24 horas, os valores existentes e interrompam novas transações relacionadas à bet irregular.

Após a notificação, as instituições deverão reportar o cumprimento da medida em até 48 horas. O Banco Central também será comunicado simultaneamente para supervisionar a execução. Os procedimentos operacionais de bloqueio das contas e dos valores serão regulamentados posteriormente por meio de resolução do CMN (Conselho Monetário Nacional).

Veja o passo a passo da iniciativa:

  1. SPA identifica o operador irregular e emite o auto de constatação de irregularidade;
  2. SPA notifica a instituição de relacionamento com agente operador irregular para bloqueio de contas;
  3. Simultaneamente, SPA comunica o Banco Central para supervisão do cumprimento da medida;
  4. Após a notificação, a instituição implementa o bloqueio da conta em até 24 horas e comunica o titular da conta;
  5. Instituições reportam à SPA em até 48 horas o cumprimento do bloqueio, com informações sobre saldos, titularidades, contatos, contas não localizadas e dificuldades operacionais.

A instauração e a condução dos processos administrativos caberão à Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), do Ministério da Justiça e Segurança Pública. A pasta notificará a parte envolvida para apresentar sua impugnação.

Durante o processo, podem ser realizadas diligências e requisições de documentos e informações a instituições financeiras e entidades públicas. Caberá ainda ao Ministério da Justiça adotar as medidas necessárias à instrução do processo, inclusive a produção de provas para o esclarecimento dos fatos, observados o contraditório e a ampla defesa.

O decreto assinado nesta sexta-feira (19) também estabelece que os valores restringidos declarados perdidos ao final do processo administrativo serão destinados ao Fundo Nacional de Segurança Pública, de modo a contribuir para o financiamento de ações de prevenção e combate à criminalidade.

Segundo o Ministério da Fazenda, o bloqueio das contas será mantido até a efetivação do depósito judicial, podendo a AGU (Advocacia-Geral da União) requerer ao juízo as demais medidas necessárias à preservação dos valores.

Influenciadores podem ser penalizados

Em outra frente, o governo federal regulamentou uma norma que estabelece os procedimentos para a responsabilização tributária "solidária" de instituições financeiras, de pagamento e instituidores de pagamento que contribuam para a exploração irregular da modalidade lotérica de apostas de quota fixa, fortalecendo os mecanismos de fiscalização e controle do setor.

Pessoas físicas e jurídicas que divulguem publicidade ou propaganda comercial de operadores de apostas sem autorização federal também serão penalizadas. Nesses casos, os influenciadores digitais e as empresas identificadas poderão responder pelos tributos incidentes sobre a atividade irregular.

De acordo com a equipe econômica, a responsabilidade tributária solidária poderá ser caracterizada quando essas instituições, após comunicação formal e específica da Secretaria de Prêmios e Apostas, continuarem permitindo ou processando transações destinadas à realização de apostas com empresas que não possuam autorização para operar no país.

Acompanhe Economia nas Redes Sociais