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    Governo e Congresso precisam sustentar marco fiscal para reduzir juros, diz Tony Volpon à CNN

    Risco fiscal foi um dos pontos citados pelo BC para manter Selic em 10,5% ao ano e interromper ciclo de queda

    Tony Volpon, ex-diretor do Banco Central
    Tony Volpon, ex-diretor do Banco Central Reprodução

    Da CNN São Paulo

    O mercado aguarda que o governo federal sustente o arcabouço fiscal que ele mesmo criou para os juros voltarem a cair, e que o Congresso também participe deste esforço, visto que a peça foi aprovada pelos parlamentares, disse Tony Volpon, ex-diretor do Banco Central (BC), à CNN.

    A peça que substituiu o teto de gastos foi anunciada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em março de 2023, e aprovado definitivamente pela Câmara dos Deputados em agosto do mesmo ano.

    “O governo tem que pensar da seguinte maneira, eu aprovei o arcabouço fiscal, ele é meu, eu fiz a proposta, eu coloquei ele de pé. Agora tenho que dar sustentação a esse arcabouço fiscal, a minha trajetória de despesas e arrecadação tem que sustentar essa sistemática que eu mesmo aprovei”, afirmou Volpon em participação no programa WW desta quarta-feira (19).

    “O Congresso também votou e aprovou esse arcabouço. Então, acho que o mercado e a economia como um todo estão esperando que isso de fato seja feito”, complementou.

    A questão fiscal foi um dos pontos citados pelo Banco Central (BC) para manter os juros em 10,5%, conforme decisão publicada nesta quarta, encerrando o ciclo de queda dos juros deflagrado em agosto do ano passado.

    Em comunicado, BC pontuou que “monitora com atenção” os desenvolvimentos da política fiscal e como os efeitos impactam nas decisões monetárias e nos ativos financeiros.

    “O Comitê reafirma que uma política fiscal crível e comprometida com a sustentabilidade da dívida contribui para a ancoragem das expectativas de inflação e para a redução dos prêmios de risco dos ativos financeiros, consequentemente impactando a política monetária”, citou a entidade em nada.

    A regra fiscal previa inicialmente que o governo zerasse o déficit fiscal neste ano e apresentasse superávit de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) a partir de 2025.

    Em abril deste ano, porém, o governo mudou as projeções.

    A meta para este ano foi mantida, mas para o ano que vem espera-se manter as contas no zero a zero.

    A equipe econômica também revisou a projeção da meta fiscal para os próximos anos. No arcabouço, o resultado superavitário de 1% chegaria em 2026.

    Agora, a proposta determina meta de superávit de 0,25% do PIB para 2026. O projeto também prevê meta de superávit de 0,5% do PIB para 2027 e 1% apenas em 2028.