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    Governo federal estuda mudanças para agilizar entrada de fertilizantes importados

    Ministério da Infraestrutura quer plano para que insumos tenham prioridade no embarque e desembarque nos portos do país

    De acordo com o Ministério da Agricultura, o Brasil negocia com empresas do Canadá para suprir a possível falta dos insumos importados
    De acordo com o Ministério da Agricultura, o Brasil negocia com empresas do Canadá para suprir a possível falta dos insumos importados Paulo Whitaker/Reuters

    Iuri Corsinida CNN Rio de Janeiro

    Diante da restrição de acesso a fertilizantes importados, especialmente da China e Rússia, em decorrência da Guerra da Ucrânia, o governo federal estuda medidas para auxiliar a entrada das matérias-primas através dos portos do país.

    Segundo o Ministério da Infraestrutura, o governo trabalha em um plano para que cargas de fertilizantes tenham prioridade no embarque e no desembarque dos cargueiros, para agilizar a logística do produto.

    O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que também tem atuado nessa questão junto à pasta de Infraestrutura, informou que vem monitorando o atual cenário para a definição de prioridades relacionadas ao processo de desembarque de fertilizantes, “de acordo com as regras e protocolos necessários”.

    Os dois ministérios afirmam acompanhar os fluxos de desembarque do insumo e, “na medida da necessidade, o Ministério da Infraestrutura poderá editar normas que definam as prioridades”.

    Essa estratégia já foi usada no ano passado, com navios de combustíveis ao longo da crise hídrica, durante a pandemia.

    À CNN, o Porto de Santos, o maior entre os estatais do país, informou que tem estudado adequações técnicas para implementar a prioridade, como a alteração das normas de atracação em caso de necessidade.

    Porém, destacou que no momento “está trabalhando em plena capacidade de recebimento de fertilizantes, de forma que não há espera relevante de navios aguardando atracação com este tipo de carga”.

    Atualmente, o Brasil importa 85% dos fertilizantes utilizados internamente. A Rússia é a principal exportadora mundial do insumo.

    Em decorrência da Guerra da Ucrânia, a matéria-prima sofreu restrições de acesso e, segundo especialistas, essa dificuldade em importar o produto pode causar desabastecimentos e elevação no preço de alguns alimentos.

    Antes de a guerra eclodir, os fertilizantes sofreram alta histórica a partir do início deste ano, sob impactos dos altos valores de matérias-primas, gás natural e carvão.

    Agora, as restrições de exportação alavancaram ainda mais os valores dos fertilizantes, como diz Fernando Cardoso, especialista em fertilizantes no Essere Group e gerente da Loyder Brasil, indústria de fertilizantes.

    “Quem deve sofrer mais com esses impactos são os pequenos e médios agricultores. Como as importações foram reduzidas, o que sobra são os estoques das grandes empresas. Esses fertilizantes devem ser vendidos em leilão (quem der mais leva), e alguns desses pequenos empreendedores poderão ficar sem a matéria prima e ver sua produção de alimentos prejudicada. A matéria prima deverá seguir aumentando”, pontuou.

    Segundo Cardoso, como o Brasil é extremamente dependente dos mercados externos na aquisição de fertilizantes, uma guerra como a que está acontecendo na Ucrânia faz com que os impactos sejam extremamente relevantes.

    Ele estima que, mesmo que o conflito terminasse hoje, o Brasil deverá sentir os impactos no recebimento e no estoque da matéria-prima por até quatro meses.

    Diante do cenário, uma outra medida que o governo brasileiro está tomando é a tentativa de uma maior aproximação com o Canadá, um dos principais exportadores do potássio, um dos fertilizantes mais utilizados na agricultura.

    De acordo com o Ministério da Agricultura, o Brasil negocia com empresas do Canadá para suprir a possível falta dos insumos importados.

    O ministério informou que “é possível contar com os volumes já acordados e explorar possibilidades, ainda, para essa safra, mas com atenção às capacidades logísticas de produção e transporte”.

    Além de negociar com o Canadá, o órgão também informou que segue na prospecção de novos fornecedores para suprir possíveis necessidades.