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    Governo na Argentina fecha contas no positivo em maio pelo quinto mês seguido

    Sequência não era alcançada desde 2008; superávit nominal, contando pagamento de juros, equivale a 0,4% do PIB em 2024

    Palácio presidencial e edifício do Ministério da Economia da Argentina em Buenos Aires
    Palácio presidencial e edifício do Ministério da Economia da Argentina em Buenos Aires 26/4/2023 REUTERS/Agustin Marcarian

    A Argentina registrou novo superávit em maio, o quinto mês seguido de resultados positivos nas contas públicas, informou o governo nesta terça-feira (18).

    Segundo dados publicados, o Setor Público Nacional teve um excedente de 1,18 trilhão de pesos mês passado. O número representa que a Casa Rosada conseguiu honrar todas as dívidas e os juros, e ainda sobrou dinheiro em caixa.

    O país não alcançava cinco meses seguidos de superávit desde 2008.

    De acordo com a Casa Rosada, o acumulado após o pagamento dos juros corresponde a 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB). Considerando o resultado primário, o resultado fica em 1% do PIB no acumulado de janeiro a maio.

    “Desta forma, o caminho da consolidação e da organização fiscal continua a mostrar-se na realidade”, pontuou o governo em nota.

    O resultado havia sido adiantado pelo porta-voz da Presidência, Manuel Adorni, na semana passada.

    O desempenho positivo nas contas públicas ocorre em meio à queda da inflação na Argentina, que em maio teve variação de 4,2%, metade do que havia sido registrado no mês anterior.

    Também foi o quinto mês seguido de recuo do índice, segundo o Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (INDEC, na sigla em espanhol).

    Preços dispararam desde agosto

    A desaceleração da inflação acontece sobre níveis elevados de preços, que dispararam desde agosto do ano passado – mês das eleições primárias do país – e chegaram ao ápice de aumentos em dezembro, quando o índice atingiu 25,5%.

    Uma das disparadas que mais chamaram atenção foi a dos planos de saúde, cujo controle de preços foi eliminado pelo megadecreto de desregulação da economia, assinado por Javier Milei em dezembro.

    Desde o fim do tabelamento, as prestadoras de saúde aumentaram as mensalidades em mais de 105% e foram criticadas pelo ministro da Economia por “declarar guerra à classe média”.

    O governo estabeleceu que prestadores do serviço não poderiam reajustar mensalidades acima do índice de inflação oficial do país e, em negociação com Justiça, as empresas aceitaram devolver parte dos aumentos cobrados.

    A queda do poder de compra da população é percebida pela queda da atividade: março registrou o quinto mês seguido de retração, com uma queda de 8,4% em relação a fevereiro.

    De acordo com uma pesquisa do instituto Zurbán Córdoba realizada em maio, 41,4% dos entrevistados afirmam que chegam ao fim do mês com dificuldade, 41,2% dizem que não chegam e somente 16,5% respondem que conseguem economizar.

    Apesar da dificuldade, segundo o estudo, o atual governo conta com 46,6% de aprovação e o sentimento mais citado pelos entrevistados quando questionados sobre o atual estado do país é “esperança”, com 29%.