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    Governo “recompra” fábrica da Ford na Bahia e vai negociá-la com BYD

    Acordo reverte propriedade do polo de Camaçari para o estado, com objetivo de agilizar processo de transição de propriedade

    Processo visa simplificar processo de transição de propriedade da fábrica
    Processo visa simplificar processo de transição de propriedade da fábrica REUTERS/Nick Carey

    Cleide Silva, do Estadão Conteúdo

    A Ford e governo da Bahia acabam de fechar acordo para reversão da propriedade da fábrica de Camaçari para o estado. Esse processo seguirá legislação vigente, que prevê posterior indenização para a empresa em valores compatíveis com o mercado.

    O acordo tem a finalidade de simplificar e agilizar o processo de transição de propriedade da fábrica, contribuindo para geração de valor ao estado e à comunidade baiana, informa nota da empresa.

    Não foi revelado o valor que companhia vai receber do governo estadual pela aquisição permitida na legislação de reversão.

    A decisão acertada entre a direção da Ford e o governo da Bahia vai facilitar as negociações com a chinesa BYD, que há mais de um ano negocia a compra das instalações.

    Entraves burocráticos e técnicos entre as duas partes impediam o fechamento do negócio.

    Agora, o governo da Bahia é quem negociará diretamente com a BYD, que anunciou recentemente investimentos de R$ 3 bilhões em três fábricas no estado, uma de automóveis, uma de caminhões e chassi de ônibus, e uma terceira de processamento de lítio.

    A BYD também aguarda decisões sobre incentivos fiscais que serão herdados da Ford no regime especial para montadoras do Nordeste, cujo vencimento está previsto para 2025.

    Um movimento envolvendo empresas, governos e parlamentares tenta prorrogar os benefícios até 2032, por meio de um adendo no texto da Reforma Tributária. A única beneficiada atualmente é a Stellantis, com fábrica da marca Jeep em Pernambuco.

    Na votação no Congresso, o adendo foi retirado do texto por um voto de diferença. Agora a votação vai para o Senado e deve voltar a ser incluído, a pedido do próprio presidente Lula.

    O adendo inclui também a extensão do regime especial para o Centro Oeste, onde está as fábricas da Caoa/Chery e da HPE/Mitsubishi.

    Em nota divulgada no final da tarde desta sexta-feira (11), a BYD informa que segue com o planejamento de investir na unidade industrial de Camaçari, mantendo as negociações necessárias com o governo da Bahia, sem citar diretamente o acordo de venda das instalações da Ford para o Estado.

    A BYD acrescenta que seu futuro complexo em Camaçari vai produzir automóveis híbridos e elétricos, com capacidade estimada em 150 mil unidades ao ano.

    Uma outra planta fará caminhões elétricos e chassis para ônibus, com possibilidade de abastecer o mercado das regiões Norte e Nordeste. Já a terceira vai se dedicar ao processamento de células de lítio e ferro fosfato, com a expectativa de geração de 5 mil empregos.

    “O novo complexo da BYD será um polo de atração de fornecedores de diversos tipos, seja na área de peças técnicas ou de serviços. A empresa pretende contribuir para o desenvolvimento regional, dando prioridade a fornecedores locais”, cita a nota.

    Segundo a empresa, “a produção nacional vai permitir preços mais competitivos e a possibilidade de um povo apaixonado por carros ter acesso a um sonho de consumo da era moderna: um elétrico na garagem”.

    Até a publicação deste texto, o governo da Bahia ainda não tinha comentado o assunto.

    Veja também: Novo PAC marca começo do terceiro mandato, diz Lula

    Publicado por Amanda Sampaio, da CNN.