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Governo registra déficit de R$ 20,2 bi em novembro, diz Tesouro

Desempenho do mês é resultado de uma queda real de 4,8% na receita líquida e um crescimento de 4% nas despesas

Gabriel Garcia, da CNN
Dinheiro
Desempenho do mês é resultado de uma queda real de 4,8% na receita líquida e um crescimento de 4% nas despesas  • SOPA Images/LightRocket via Gett
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As contas do governo central, que engloba Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social, registraram um déficit de R$ 20,2 bilhões em novembro de 2025, informou o Tesouro nesta segunda-feira (29).

O déficit do mês ficou acima da mediana das expectativas da pesquisa Prisma Fiscal do Ministério da Fazenda, que apontava para um resultado negativo de R$ 12,7 bilhões.

No ano passado, no mesmo mês, foi registrado um resultado negativo de R$ 4,5 bilhões.

O desempenho do mês é resultado de uma queda real de 4,8% na receita líquida e um crescimento de 4% nas despesas totais em comparação com novembro de 2024.

Segundo o Tesouro Nacional, a queda nas receitas decorre principalmente da retração de 52,5% nas chamadas receitas não administradas (-R$ 16,7 bilhões)

O recuo foi puxado pela diminuição nos ingressos com dividendos e participações (-R$ 6,9 bilhões) e concessões e permissões (-R$ 4,7 bilhões).

No caso dos dividendos, houve um ingresso extraordinário de R$ 6,1 bilhões do BNDES em novembro de 2024, o que não se repetiu no mesmo período de 2025.

Já a queda nas receitas de concessões está relacionada ao recebimento, em novembro de 2024, de recursos referentes às outorgas de usinas hidrelétricas no processo de desestatização da Copel, no valor de R$ 4,3 bilhões.

Em contrapartida, as receitas administradas pela Receita Federal registraram um crescimento.

Os recolhimentos administrados pela Receita Federal cresceram 5,2%, puxados pela arrecadação líquida do IRPJ (+R$ 2,4 bilhões), do IRRF sobre rendimentos do trabalho (+R$ 1,3 bilhão), além do avanço do IOF (+R$ 2,6 bilhões) e da Cofins (+R$ 1,8 bilhão).

Entre as despesas, o aumento foi puxado por despesas discricionárias do Poder Executivo (+ R$ 3,9 bilhões) e benefícios previdenciários (+R$ 3 bilhões).

No caso dos benefícios previdenciários, o crescimento é reflexo do reajuste real do salário-mínimo e da ampliação do número de beneficiários.

No acumulado do ano, o resultado do governo central apresentou déficit primário de R$ 83,8 bilhões, frente a R$ 67 bilhões no mesmo período de 2024, em valores nominais.

A meta de resultado primário para 2025 é de déficit zero, com tolerância de 0,25 ponto percentual do PIB (Produto Interno Bruto), cerca de R$ 30 bilhões, segundo as regras do arcabouço fiscal.

No entanto, serão desconsiderados para o cumprimento da meta fiscal cerca de R$ 44,4 bilhões em gastos extraordinários com precatórios e com o reembolso de aposentados afetados com a fraude do INSS.

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