Guerra afeta perspectivas de crescimento da China para 2026, aponta Reuters
Economistas alertam que os preços do petróleo, persistentemente mais altos, já estão elevando os custos dos insumos

A economia da China pode ter recuperado algum ímpeto no primeiro trimestre devido às sólidas exportações, mas espera-se que o crescimento arrefeça durante o resto de 2026, conforme a guerra do Oriente Médio ameaça sufocar os lucros das empresas e minar a demanda externa, de acordo com uma pesquisa da Reuters.
A previsão de crescimento do Produto Interno Bruto no primeiro trimestre é de 4,8% em relação ao ano anterior, acelerando frente à alta de 4,5% no trimestre de outubro a dezembro, segundo pesquisa da Reuters com 50 economistas.
Espera-se que o crescimento desacelere para 4,7% no segundo trimestre, arrastando a expansão do ano inteiro para 4,6% em 2026, em comparação com os 5,0% do ano passado, de acordo com a previsão mediana da pesquisa, em geral em linha com a meta oficial de 4,5% a 5,0%.
Economistas alertam que os preços do petróleo, persistentemente mais altos, já estão elevando os custos dos insumos e reduzindo os lucros em um momento em que a demanda interna continua fraca.
"Os preços mais altos do petróleo atingiriam a economia da China por meio de um choque nos termos de troca e da compressão das margens do downstream", disseram analistas do Morgan Stanley em nota.
"Mas, ao contrário de muitos outros países importadores líquidos de petróleo, que enfrentam interrupções na produção devido à escassez de energia e ao espaço restrito para políticas em meio à inflação elevada, a China está mais bem posicionada", continuou.
Os preços de fábrica da China subiram em março pela primeira vez em mais de três anos.
Espera-se que dados a serem divulgados na terça-feira (14) mostrem que o crescimento das exportações da China arrefeceu em março.
Em uma base trimestral, a previsão é de que a economia cresça 1,3% em janeiro-março, em comparação com o crescimento de 1,2% em outubro-dezembro, conforme a pesquisa.
O governo deve divulgar os dados do PIB do primeiro trimestre, juntamente com os dados de atividade de março, nesta semana.


