Haddad recebe encarregado dos EUA para levar investigação a Trump
Ministro da Fazenda deve apresentar resultados da Operação Poço de Lobato, que identificou esquema criminoso bilionário no setor de combustíveis

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, recebe na tarde desta quinta-feira (4), o encarregado de negócios dos Estados Unidos, Gabriel Escobar, para apresentar as investigações da Operação Poço de Lobato, realizada no final de novembro e que identificou esquema bilionário de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis.
Segundo apurou a reportagem, o ministro apresentou toda a operação ao encarregado na reunião de durou 1h. Estavam presentes o secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, e o assessor especial para assuntos internacionais do ministro, Mathias Alencastro.
O representante norte-americano deve levar os resultados ao presidente Donald Trump.
O encontro ocorre após a embaixada norte-americana solicitar ao governo brasileiro documentos e informações sobre a atuação do crime organizado em território dos EUA, no contexto de uma maior cooperação entre os dois países.
O pedido foi feito após a ligação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Trump, quando o combate a facções criminosas foi tratado como tema central da conversa.
A intensificação desse diálogo tem objetivo político e operacional. Lula levou o tema diretamente a Trump em uma estratégia para neutralizar o discurso da oposição e reforçar o alinhamento no combate às facções.
Uma das frentes dessa cooperação envolve a captura de Ricardo Magro, apontado como o principal alvo de ações contra o grupo Refit e investigado por participação em fraudes bilionárias relacionadas a combustíveis.
Magro é considerado peça-chave no esquema e sua prisão se tornou prioridade dentro das negociações e trocas de informação entre os dois governos.
Dono do Grupo Refit, que acumulou débitos fiscais estimados em cerca de R$ 26 bilhões, Magro vive uma vida de luxo nos EUA.
Ele possui mansão de alto padrão em Miami — anteriormente pertencente a um astro da NBA — além de iate, carro esportivo de luxo e até jato particular.
As investigações indicam que o grupo liderado por ele teria usado uma rede de offshores, holdings, fundos e empresas de fachada para ocultar patrimônio, sonegar impostos e lavar dinheiro.
As tratativas avançam no momento em que investigações apontam que organizações criminosas abriram empresas em Delaware, nos Estados Unidos — estado com ambiente fiscal favorável — para movimentar recursos ilícitos, que retornariam ao Brasil como investimentos com aparência regular.


