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    Índia está prestes a se tornar país mais populoso do mundo; empregos serão suficientes?

    Marco acontece em meio à diminuição da população da China pela primeira vez em 60 anos

    População da Índia poderá ser a maior do mundo
    População da Índia poderá ser a maior do mundo Shashank Hudkar/Unsplash

    Diksha Madhokda CNN

    Nova Delhi

    A Índia ultrapassará a China este ano e se tornará o país mais populoso do mundo.

    A probabilidade de a Índia ultrapassar esse marco importante dentro de alguns meses disparou na terça-feira, quando a China informou que sua população encolheu em 2022 pela primeira vez em mais de 60 anos.

    Essa mudança terá implicações econômicas significativas para os dois gigantes asiáticos, que têm mais de 1,4 bilhão de residentes cada.

    Com os dados populacionais, a China também relatou um de seus piores números de crescimento econômico em quase meio século, ressaltando os grandes desafios que o país enfrenta à medida que sua força de trabalho diminui e o número de aposentados aumenta.

    Para a Índia, o que os economistas e analistas chamam de “dividendo demográfico” pode continuar a sustentar o rápido crescimento à medida que aumenta o número de trabalhadores saudáveis.

    Há temores de que o país possa ficar de fora, no entanto. Isso porque a Índia simplesmente não está criando oportunidades para os milhões de jovens desempregados que entram no mercado de trabalho todos os anos.

    A população em idade ativa do país do sul da Ásia é de mais de 900 milhões, de acordo com dados de 2021 da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Espera-se que esse número atinja mais de 1 bilhão na próxima década, segundo o governo indiano.

    Mas esses números podem se tornar um problema se os formuladores de políticas não criarem empregos suficientes, alertaram os especialistas. Os dados já mostram que um número crescente de indianos nem está procurando trabalho, dada a falta de oportunidades e os baixos salários.

    A taxa de participação na força de trabalho da Índia, uma estimativa da força de trabalho ativa e das pessoas em busca de trabalho, ficou em 46%, uma das mais baixas da Ásia, segundo dados de 2021 do Banco Mundial. Em comparação, as taxas da China e dos Estados Unidos ficaram em 68% e 61%, respectivamente, no mesmo ano.

    Para as mulheres, os números são ainda mais alarmantes. A taxa de participação feminina no trabalho da Índia foi de apenas 19% em 2021, abaixo dos cerca de 26% em 2005, mostram os dados do Banco Mundial.

    “A Índia está sentada em uma bomba-relógio”, disse Chandrasekhar Sripada, professor de comportamento organizacional na Indian School of Business, à CNN. “Haverá agitação social se não for possível criar empregos suficientes em um período de tempo relativamente curto.”

    A taxa de desemprego da Índia em dezembro ficou em 8,3%, segundo o Centro de Monitoramento da Economia Indiana (CMIE), um think tank independente com sede em Mumbai, que publica dados de empregos com mais regularidade do que o governo indiano. Em contraste, a taxa dos EUA era de cerca de 3,5% no final do ano passado.

    “A Índia tem a maior população jovem do mundo… Não há escassez de capital no mundo hoje”, escreveu Mahesh Vyas, CEO da CMIE, em um blog no ano passado. “Idealmente, a Índia deveria aproveitar esta rara oportunidade de fácil disponibilidade de mão de obra e capital para alimentar o crescimento rápido. No entanto, parece que falta este ônibus.”

    Nem todo mundo é engenheiro

    A falta de educação de alta qualidade é uma das maiores razões por trás da crise de desemprego na Índia. Houve um “fracasso maciço no nível educacional” por parte dos formuladores de políticas, disse Sripada, acrescentando que as instituições indianas enfatizam o “aprendizado mecânico” em vez do “pensamento criativo”.

    Como resultado dessa combinação tóxica de baixa escolaridade e falta de empregos, milhares de graduados em faculdades, inclusive com doutorado, acabam se candidatando a empregos de baixo escalão do governo, como os de “peões” ou office boys, que pagam menos de US$ 300 por mês.

    A boa notícia é que os formuladores de políticas reconheceram esse problema e começaram a colocar “enfase razoável na criação de habilidades agora”, disse Sripada. Mas levará anos até que o impacto das novas políticas possa ser visto, acrescentou.

    A terceira maior economia da Ásia também precisa criar mais empregos não agrícolas para realizar todo o seu potencial econômico. De acordo com dados recentes do governo, mais de 45% da força de trabalho indiana está empregada no setor agrícola.

    O país precisa criar pelo menos 90 milhões de novos empregos não agrícolas até 2030 para absorver novos trabalhadores, de acordo com um relatório de 2020 do McKinsey Global Institute. Muitos desses empregos podem ser criados nos setores de manufatura e construção, disseram especialistas.

    À medida que as tensões entre a China e o Ocidente aumentam, a Índia fez algum progresso no aumento da manufatura, atraindo gigantes internacionais como a Apple para produzir mais no país. Mas as fábricas ainda constituem apenas 14% do PIB da Índia, de acordo com o Banco Mundial.

    Com uma previsão de expansão de 6,8% no PIB para o ano fiscal que termina em março, o país do sul da Ásia deverá ser a economia de crescimento mais rápido do mundo. Mas, de acordo com um ex-banqueiro central, mesmo esse crescimento é “insuficiente”.

    “Muito desse crescimento é crescimento sem empregos. Os empregos são essencialmente a primeira tarefa da economia. Não precisamos que todos sejam programadores ou consultores de software, mas precisamos de empregos decentes”, disse Raghuram Rajan, ex-governador do Reserve Bank of India, à empresa de mídia NDTV, no ano passado.

    De acordo com o relatório Mckinsey, para “crescimento do emprego lucrativo e produtivo dessa magnitude, o PIB da Índia precisará crescer de 8,0% a 8,5% anualmente na próxima década”.

    Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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