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    Inflação dos EUA permanece elevada, adicionando pressão para mais aumentos do Fed

    Mercado espera aumento de 0,25 ponto percentual na próxima reunião, mas não descarta elevações da mesma magnitude prolongadas ou alta de 0,50 em março

    Fabrício Juliãoda CNN em São Paulo

    A alta do Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos de 0,5% em janeiro ante dezembro, divulgada nesta terça-feira (14), deve levar o Federal Reserve a continuar com sua escalada de juros no país para combater a inflação.

    No balanço anual, o CPI subiu 6,4% no período, levemente acima das expetativas do mercado, que esperavam alta de 6,2%. Ainda que próximo das projeções, o dado indica que o Fed não deve parar de subir os juros tão cedo.

    “A expectativa em torno do CPI era grande, pois são números importantes que podem ditar próximos rumos do Fed. O payroll [dados de emprego] divulgado anteriormente já tinha surpreendido o mercado, além do reflexo de muitos empregos criados mostrando um mercado mais aquecido do que o esperado”, afirmou Rodrigo Cohen, analista e co-fundador da Escola de Investimentos.

    A economia dos Estados Unidos criou 517 mil empregos em janeiro, dado que surpreendeu e mostra que o mercado de trabalho ainda não está pronto para esfriar. Segundo a divulgação mais recente da Secretaria de Estatísticas Trabalhistas do país, a taxa de desemprego caiu de 3,5% para 3,4%, atingindo nível mínimo nunca registrado desde 1970.

    “Nossa avaliação é que diante do atual contexto de um mercado de trabalho apertado e de pressões inflacionárias persistentes, principalmente do núcleo de inflação [supercore], o Fed deve seguir elevando a taxa básica de juros para combater o elevado nível de preços”, destacou a equipe de análise da Genial Investimentos.

    “Somam-se a isso as recentes revisões para cima na inflação dos últimos meses e a criação de vagas de janeiro muito acima do esperado, principalmente no setor de serviços”, acrescentou.

    Ainda que os dados mais recentes não tenham sido favoráveis ao recuo da política monetária mais agressiva por parte do Fed, o plano de voo do BC norte-americano de empreender altas taxas de juros de 0,25 ponto percentual não deve mudar daqui para frente, na visão dos analistas.

    “O que pode mudar é o número de altas dessa magnitude adotadas nas reuniões futuras, com a autoridade monetária podendo levar a taxa de juros para um patamar além da taxa terminal de 5,25% projetada pelos membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc)”, comentou a equipe da Genial.

    Segundo dados da plataforma do CME Group, 90,8% dos investidores americanos acreditam que o Fomc vai aumentar a taxa de juros em 0,25 ponto, enquanto 9,2% acham que a entidade vai ser mais agressiva e elevar em 0,50 ponto.

    “Não acredito que, com esses dados acima do esperado, o Fed vai parar de subir os juros tão cedo. Com isso, o próximo aumento deverá ser de 0,25 ponto percentual, mas não duvido que pode mesmo chegar a 50 p.p”, avalia Rodrigo Cohen.

    Ainda que a inflação esteja persistente, a XP destaca que o processo desinflacionário no país avançará bastante nos próximos meses, principalmente no primeiro semestre de 2023.

    “No primeiro semestre do ano passado, as variações mensais da inflação cheia foram em média de 0,81% (10,10% anualizado) contra uma média de 0,24% ao mês no segundo semestre (2,91% anualizado). Isso significa que à medida que o ano avança e os altíssimos números da inflação não são mais considerados, a inflação anual continuará caindo significativamente”, pontuou a corretora.

    As próximas reuniões do Fed para definir a taxa de juros norte-americana ocorrerão nos dias 21 e 22 de março, com a divulgação da mesma no segundo dia de encontro.