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    INSS vai usar inteligência artificial para diminuir fila e evitar fraudes, diz presidente à CNN

    Atestmed, que simplificou regras para o auxílio-doença, trouxe temores quanto a fraudes — que devem ser combatidas pela IA

    Presidente do INSS, Alessandro Stefanutto
    Presidente do INSS, Alessandro Stefanutto Foto Valter Campanato/Agência Brasil

    Danilo Moliternoda CNN São Paulo

    O presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Alessandro Stefanutto, afirmou em entrevista à CNN que a autarquia vai utilizar inteligência artificial para, ao mesmo tempo, diminuir a fila de espera por benefícios e evitar fraudes.

    A fim de reduzir a fila, a gestão atual do INSS mudou regras para concessão do auxílio-doença. Agora é possível solicitar o benefício remotamente, por meio de análise de documentos no sistema Atestmed.

    Apesar de agilizar os benefícios, o modelo trouxe temores de que, sem a necessidade de perícia, poderia haver mais fraudes, mais concessões irregulares e maior gasto público. O presidente diz que a IA atua neste vácuo.

    “A inteligência artificial é uma necessidade. O médico perito não tinha um banco de dados para comparar a letra do atestado, saber se fugia do padrão. A inteligência artificial vai sendo alimentada e consegue comparar estes padrões”, aponta.

    Indícios de fraudes em informações como hospital ou estado de emissão do atestado, número do CRM (Conselho Regional de Medicina) e assinaturas devem ser identificados pela IA.

    “Além de melhorar fila, com esta interferência da tecnologia, melhoro o gasto, gasto menos”, afirma.

    Segundo o presidente, as tentativas de fraude que ocorrem com o novo sistema já aconteciam antes. Com o tempo elevado para concessão, na maior parte das vezes, o cidadão passava pela perícia quando já não estava incapaz. Assim, havia apenas uma análise documental.

    O Atestmed está em “plena vigência” desde setembro deste ano. A gestão do INSS afirma que, com a mudança, foi possível diminuir o prazo médio de concessão de benefícios de 150 para 50 dias.

    A pedido do ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, o INSS quer diminuir para 45 dias (prazo estabelecido pela lei) esta média até o fim de 2023. Para 2024, a ideia é chegar a 30 dias.

    O presidente explica que a concessão do auxílio-doença por atestado permite ao instituto utilizar recursos para atender outros pedidos, como de Benefício Assistencial à Pessoa (BPC/LOAS) — que requer perícia. Por isso, o prazo vem caindo para diversos benefícios.

    Atestado eletrônico e IA

    O próximo passo para agilizar a concessão do auxílio-doença é a implantação do atestado eletrônico — que acontece no âmbito do Ministério da Saúde e que tem o INSS como “entusiasta”.

    “Com o atestado eletrônico, o auxílio-doença vai ser entregue em minutos. A pessoa sai da sala do SUS [Sistema Único de Saúde], entra no aplicativo ou vai na agência, nosso sistema já busca no DataSUS, e o benefício é rapidamente concedido”, indica.

    Stefanutto quer a IA aliada ao atestado eletrônico. Ele diz que os “aprendizados” da IA relativos a cadastros e irregularidades serão essenciais para evitar fraudes também quando o novo modelo for implementado.

    O INSS mantém contato com empresas, inclusive com o Dataprev, para a implantação da inteligência artificial

    Ainda entre as medidas “estruturantes” para combate a fila, Stefanutto celebra a aprovação de 1.250 funcionários para o INSS neste ano. Afirma ainda que, possivelmente, novos 1.800 nomes já aprovados podem ser convocados em 2024.

    Veja também – Fila do INSS: quais os impactos para o cidadão?