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Japão e Austrália suspendem envios de encomendas aos EUA após novas regras

Países interrompem remessas após fim de isenção tarifária implementada por Trump, afetando e-commerce global; Taiwan também está suspendendo alguns envios

Kathleen Magramo, da CNN
Containers são transportados em porto industrial de Yokohama, no Japão
Containers são transportados em porto industrial de Yokohama, no Japão  • 16/01/2017 REUTERS/Kim Kyung-Hoon
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Japão, Austrália e Taiwan juntaram-se a uma crescente lista de países que estão suspendendo algumas remessas de encomendas para os Estados Unidos após a implementação de novas regras sob a administração do presidente Donald Trump que encerrarão as isenções tarifárias.

A isenção "de minimis", que permitia a entrada nos Estados Unidos de remessas de mercadorias no valor de até US$ 800 sem taxas alfandegárias, será eliminada a partir de sexta-feira (29).

A mudança pela administração Trump visa reduzir o ritmo das importações de baixo custo em uma tentativa de fortalecer a manufatura doméstica, mas tem provocado perturbações globais nas redes postais e nas cadeias de suprimentos do comércio eletrônico.

Países como Índia, Tailândia, Coreia do Sul e Nova Zelândia já anunciaram suspensões de serviços até segunda ordem, citando desafios logísticos e incertezas sobre as políticas tarifárias dos EUA.

Mais operadores postais em toda a região Ásia-Pacífico também estão interrompendo temporariamente os serviços para os EUA, impactando encomendas de baixo valor enviadas tanto por indivíduos quanto por pequenas empresas.

O Japan Post anunciou que suspenderá temporariamente as entregas de pequenos pacotes com valores superiores a US$ 100 para os EUA a partir de quarta-feira, segundo comunicado divulgado na segunda.

O Australia Post informou que irá "suspender parcialmente de forma temporária os serviços postais para os Estados Unidos e Porto Rico, a partir de 26 de agosto de 2025 até segunda ordem", de acordo com uma atualização na terça-feira.

"Esta resposta está alinhada com as ações tomadas por numerosos operadores postais internacionalmente", acrescentou.

A emissora pública australiana ABC relatou que a incerteza com as postagens também criou caos para os varejistas de comércio eletrônico baseados no país.

Em entrevista à ABC, o cofundador da marca de roupas para gestantes Apéro, Laz Smith, disse: "A volatilidade na tomada de decisões, a volatilidade do mercado e, francamente, a falta de capacidade até mesmo do Australia Post de abordar essas questões em tempo hábil, coloca a nós e toda a moda australiana em uma posição realmente precária."

O serviço postal de Taiwan também suspendeu as entregas de pequenas encomendas destinadas aos EUA, com efeito a partir de terça-feira, segundo comunicado divulgado na segunda-feira.

O Chunghwa Post informou que parou de entregar pacotes, pois "o sistema postal global ainda não forneceu um serviço que permita aos remetentes pagar antecipadamente as taxas alfandegárias, e as transportadoras contratadas pelo Chunghwa Post também anunciaram a suspensão das entregas de correspondências comerciais."

A mudança no "de minimis" deve afetar vendedores com descontos, como Amazon Haul e TikTok Shop, bem como marketplaces online Etsy e Shopify, todos os quais conectaram consumidores americanos a empresas em todo o mundo.

O prazo iminente da isenção tarifária levou o serviço postal internacional DHL a parar de aceitar remessas para os EUA a partir de 25 de agosto, juntando-se aos pares europeus na suspensão de envios.

A Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA estimou que mais de 1,36 bilhão de remessas "de minimis" entraram no país no último ano fiscal, com mais de 4 milhões de remessas "de minimis" processadas diariamente.

De acordo com a última ordem executiva, as empresas podem enfrentar uma cobrança de US$ 80 por item para um país com alíquota tarifária inferior a 16%, ou custos de até US$ 160 por item para um país com alíquota tarifária entre 16% e 25%, e US$ 200 por item para um país com alíquota tarifária acima de 25%.

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