Juro menor é insuficiente para reverter quadro econômico, avaliam entidades
Banco Central reduziu a Selic em 0,25 ponto, porém o corte foi considerado tímido por entidades

Após corte de 0,25 ponto percentual da taxa básica de juros pelo BC (Banco Central), entidades avaliaram que a Selic segue em um nível restritivo e ainda insuficiente para o segmento, limitando a capacidade de investimento, encarecendo o crédito e dificultando a recuperação da competitividade do setor produtivo, mesmo diante do início do ciclo de cortes.
A CNI (Confederação Nacional da Indústria) avalia que a decisão do BC foi adequada, mas ainda insuficiente para reverter o quadro econômico.
“A medida ainda não interrompe a queda da atividade econômica, não destrava investimentos, nem reduz o endividamento — sintomas de uma política monetária excessivamente restritiva”, afirmou a entidade em nota.
O presidente da entidade, Ricardo Alban, ressaltou que o atual cenário inflacionário abre espaço para uma atuação mais incisiva do Copom. Segundo ele, as expectativas de inflação seguem dentro do intervalo de tolerância da meta, o que justificaria um corte mais robusto da taxa básica de juros.
Alban também destacou que a manutenção de juros elevados por um período prolongado tende a aprofundar os efeitos negativos sobre a atividade produtiva, comprometendo a retomada do crescimento, o nível de investimentos e a geração de empregos.
A Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais) também considera o corte da Selic insuficiente para melhorar a competitividade da indústria.
"A Federação compreende que o atual contexto internacional, marcado por conflitos no Oriente Médio e, consequentemente, a instabilidade nos preços dos combustíveis, gera efeitos secundários na inflação, mas alerta sobre os desafios adicionais à indústria, que já enfrenta um ambiente de crédito restrito e elevado custo de capital", explica documento.
Para o presidente da entidade, Flávio Roscoe, em um ambiente pressionado por choques externos, é “fundamental adotar medidas que contribuam para preservar a capacidade de investimento e a competitividade da indústria nacional”.
O dirigente também destacou que o elevado nível da taxa de juros impõe um grau significativo de restrição à economia e defendeu cautela para evitar impactos desproporcionais sobre a atividade produtiva e o mercado de trabalho. “Aprofundar o enfraquecimento da atividade econômica leva a efeitos negativos na geração de emprego e renda”, afirmou.
Já a Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro) avaliou como coerente e positivo o corte de 0,25 ponto percentual da Selic.
"O início da redução dos juros, mesmo que cauteloso, representa um alívio para a indústria, que enfrenta, além dos entraves internos, pressões adicionais sobre custos e cadeias logísticas globais decorrentes dos conflitos geopolíticos", avaliou a entidade.
O economista-chefe da federação, Jonathas Goulart, destacou a importância da responsabilidade fiscal e afirmou que, mesmo em um contexto de incerteza associado ao ciclo eleitoral, o compromisso com uma agenda estrutural crível de contenção de gastos é condição necessária para reduzir o risco-país e abrir espaço para juros menores de forma sustentável.
Segundo ele, sem esse pilar, a política monetária tende a permanecer restritiva por mais tempo, limitando os efeitos positivos do ciclo de cortes da Selic. Goulart ressaltou que a ausência de disciplina fiscal compromete a confiança dos investidores, pressiona as expectativas de inflação e dificulta a queda estrutural dos juros.
Em nota, a FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo) avalia que os desdobramentos da guerra no Oriente Médio sobre o cenário interno limitaram um ajuste mais robusto por parte do Copom e que essa postura mais cautelosa deve ser mantida nas próximas reuniões.
"O ciclo de redução da Selic começou, mas a duração e intensidade dos cortes são cada vez mais incertos diante das conjunturas doméstica e internacional", explicou a entidade.
A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) ressalta que o rigor da autarquia é uma "punição ao investimento e à inovação em favor da inpercia da renda fixa".
Na declaração, o presidente da federação, Paulo Skaf, diz que as taxas praticadas no mercado, que atingem seis vezes o índice de inflação, são "absurdas".
"Para que o país volte a crescer, é urgente que o governo assuma a responsabilidade sobre seus gastos excessivos e déficits — que já elevam a dívida pública para patamares próximos a 80% do PIB", avalia a entidade.


