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Liquidado pelo BC, Banco Pleno é de ex-sócio de Vorcaro; entenda relação

Banco Master comprou o antigo Voiter em 2024; desde o ano passado, instituição era administrada por Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro

Vitória Queiroz, da CNN Brasil, Brasília
Sede do Banco Central em Brasília
Sede do Banco Central em Brasília  • 11/06/2024 - REUTERS/Adriano Machado
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O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do conglomerado do Banco Pleno, antigo Banco Voiter. A instituição financeira é controlada pelo ex-CEO e ex-sócio do Banco Master, Augusto Ferreira Lima.

Além de Augusto Ferreira Lima, também aparecem como controladores do Banco Pleno a Master Holding Financeira S.A e Daniel Vorcaro. As informações constam no comunicado do Banco Central divulgado nesta quarta-feira (18).

Augusto Ferreira Lima assumiu o controle do Banco Voiter em julho de 2025, meses antes da Polícia Federal deflagrar a operação Compliance Zero, que apontou fraudes no Sistema Financeiro Nacional. Sob nova gestão, a instituição mudou de nome para Banco Pleno S.A., com foco no segmento empresarial.

Em 2020, por sua vez, o Banco Voiter tinha outro nome: Banco Indusval. Naquele ano, o Indusval saiu da B3 e, com uma estrutura mais enxuta, foi rebatizado de Voiter. A instituição era controlada pelo investidor e empresário do agronegócio Roberto de Rezende Barbosa.

Quatro anos depois, Rezende vendeu o Voiter para o Banco Master, e Daniel Vorcaro passou a ser sócio das duas instituições.

Lima e Vorcaro eram sócios no Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro. O empresário baiano deixou a sociedade em maio de 2024. Os dois foram presos pela Polícia Federal no fim de 2025, no âmbito da operação Compliance Zero. A prisão preventiva dos dois foi revogada pelo TRF (Tribunal Regional Federal) menos de duas semanas depois.

De acordo com a autoridade monetária, o conglomerado do Banco Pleno é de pequeno porte, detendo 0,04% do ativo total e 0,05% das captações totais do SFN (Sistema Financeiro Nacional).

A liquidação extrajudicial do Banco Pleno foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, com deterioração da situação de liquidez, bem como por infringência às normas que disciplinam a sua atividade e inobservância das determinações do Banco Central do Brasil.

O antigo banco Indusval já teve múltiplos controladores desde sua criação, no fim da década de 1960. Em setembro de 2018, a instituição financeira iniciou um processo de reestruturação, passando a mirar em startups e empresas de médio e grande porte, por meio do mercado de capitais e em parceria com gestoras de investimentos.

Mais uma liquidação

Na esteira da liquidação do conglomerado do Banco Master, o Banco Central também decretou em janeiro a liquidação extrajudicial do Will Bank. Controlado por Daniel Vorcaro, a Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento estava operando sob RAET (Regime Especial de Administração Temporária) desde novembro.

Na ocasião, a autoridade monetária informou que a decisão foi tomada em extensão ao comprometimento da situação econômico-financeira, da sua insolvência e do vínculo de interesse do Banco Master, que também foi liquidado em novembro de 2025.

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