Lula apoia PEC da previsibilidade, mas tem outras prioridades, diz Múcio

A chamada “PEC da previsibilidade” estabelece a aplicação de 2% do PIB (Produto Interno Bruto) na área de Defesa

Gabriel Garcia, da CNN
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O ministro da Defesa, José Múcio, afirmou nesta terça-feira (16), que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apoia a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) da previsibilidade de defesa.

O ministro afirmou, no entanto, que o tema não é uma das prioridades do governo federal.

“O presidente nos apoia. Tem outras prioridades, nós sabemos disso. Num país onde nós temos necessidade de remédios, tem gente que precisa de comida, a prioridade de defesa precisa ser tratada como prioridade especial”, disse Múcio.

O ministro cita que outros países, que vivem em conflitos com vizinhos, tratam o tema como “prioridade de sobrevivência”, o que não é o caso do Brasil, segundo ele.

O ministro ressaltou, no entanto, que cabe a ele e às Forças Armadas o papel de convencimento sobre a importância do tema.

“Esse é um país riquíssimo, que tem tudo aqui pelo que o mundo briga: terras raras, petróleo, gás, todo tipo de mineral. Nós estamos preparados, mas precisamos estar mais preparados para o tamanho da nossa riqueza e da nossa extensão territorial”, afirmou.

Múcio se reuniu com Lula e com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para tratar do tema na última segunda-feira (15).

A chamada “PEC da Previsibilidade” estabelece a aplicação de 2% do PIB (Produto Interno Bruto) na área de Defesa.

A proposta, no entanto, está parada no Senado desde 2023. Designado em abril, o relator na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) é o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo no Congresso.

A PEC em análise no Senado segue os parâmetros recomendados pela Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), que orienta os países-membros a destinar esse percentual mínimo à área.

O Ministério da Defesa e as Forças Armadas vivem uma realidade orçamentária aquém do necessário, na avaliação de militares, além da baixa previsibilidade de recursos.

Isso acaba afastando potenciais investidores, inibindo a modernização e, em alguns casos, até a manutenção das tropas.

Em relação à Marinha, como a CNN mostrou, o orçamento da Força sofreu uma redução de 60% nos últimos dez anos. Em valores corrigidos pela inflação, o Orçamento caiu de R$ 7 bilhões em 2015 para cerca de R$ 3 bilhões em 2025.

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