Lula defende desdolarização do comércio global: “É um caminho sem volta”

Proposta de enfraquecer o dólar no comércio internacional é amplamente defendida por alguns países do Brics, especialmente pela Rússia

Gabriel Garcia, da CNN, Brasília
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu a adoção de medidas para enfraquecer o uso do dólar no comércio internacional, como a utilização de moedas locais nas transações entre os países.

“Eu acho que o mundo precisa encontrar um jeito de que a nossa relação comercial não precise passar pelo dólar. Quando for com os EUA, ela passa pelo dólar. Quando for com a Argentina ou China, não precisa. Ninguém determinou que o dólar é a moeda padrão. Em que fórum foi determinado?’, disse Lula nesta segunda-feira (7) em coletiva de imprensa durante a Cúpula do Brics.

Segundo o presidente, a substituição de dólar no comércio internacional é “uma coisa que não tem volta, vai acontecer até que seja consolidada”.

A proposta de enfraquecer o dólar no comércio internacional é amplamente defendida por alguns países do bloco, especialmente pela Rússia, que passou a ser alvo de sanções internacionais após a invasão na Ucrânia.

Durante a cúpula dos Brics, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, defendeu o aumento do uso de moedas locais no comércio entre os países do bloco.

Ele participou por videoconferência da sessão plenária “Paz e Segurança & Reforma da Governança Global”, na Cúpula dos Brics, neste domingo (6).

Também, no domingo, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que os países que se alinharem às "políticas antiamericanas" do Brics pagarão uma tarifa adicional de 10%.

Apesar da pressão russa e das falas de Lula, o Brasil tem adotado uma postura cautelosa nas tratativas.

A ideia, que visa estabelecer um sistema alternativo ao Swift para transações comerciais, tem encontrado resistência por parte das autoridades brasileiras.

A postura do Brasil tem sido a de evitar completamente essa discussão, afastando-se da retórica utilizada pelo presidente Lula.

Durante a reunião com os ministros de Comércio dos Brics, por exemplo, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, afirmou que o assunto não foi nem levado à mesa de discussões.

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