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    Lula deve receber líder da Comissão Europeia para tratar de acordo com Mercosul

    O acordo entre o Mercosul e a União Europeia pode abrir uma janela de oportunidades de US$ 100 bilhões (cerca de R$ 522 bilhões) em exportação do Mercosul para o bloco europeu

    Presidente Luís Inácio Lula da Silva durante coletiva de imprensa
    Presidente Luís Inácio Lula da Silva durante coletiva de imprensa Ricardo Stuckert/PR

    Leonardo Ribbeiroda CNN

    Em negociação há mais de duas décadas, o possível acordo entre o Mercosul e a União Europeia pode ter um desfecho até o fim de julho. A previsão é de auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que nesta segunda-feira (12) receberá a representante da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

    O acordo entre os dois blocos é um dos assuntos da pauta, juntamente com questões relacionadas ao meio ambiente e à guerra na Ucrânia.

    O encontro no Palácio do Planalto ocorre a convite de Lula, feito em fevereiro por meio de ligação telefônica. Na ocasião, Von der Leyer escreveu numa rede social que ambos estavam empenhados, “levando o acordo com o Mercosul à linha de chegada”.

    A conversa de agora será uma prévia da reunião marcada para 17 e 18 de julho, na Bélgica. Chefes de estado e de governo dos países da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) estarão reunidos com integrantes da União Europeia. A expectativa é de que os membros do Mercosul batam o martelo sobre o caso.

    O maior entrave está nas exigências ambientais feitas pela União Europeia, como reduzir pela metade os níveis atuais de desmatamento até 2025. Os países do Mercosul entendem que a regra é arriscada, sobretudo porque estaria vinculada a duras sanções comerciais.

    Outro ponto, desta vez uma imposição dos países sul-americanos, é associar as ações de proteção do meio ambiente ao desenvolvimento econômico e social. O bloco europeu tem defendido, por exemplo, que a Amazônia deve ser “intocável” — sem enxergar que 28 milhões de pessoas vivem na região.

    Durante evento em alusão ao dia mundial do Meio Ambiente, na segunda-feira (5), Lula não se referiu diretamente ao acordo com a União Europeia. No entanto, fez uma crítica aos países que muito exigem e pouco ajudam.

    “Eu às vezes desconfio que os pais ricos prometem aquilo que não podem dar, ou prometer aquilo que não querem dar, porque se nós fossemos olhar a quantidade de anos que prometeram 100 bilhões a cada ano e que já faz de 2009 a 2023, 14 anos e que até agora saiu pouquíssimas coisas e não se sabe para quem”, afirmou o presidente.

    Acordo

    Uma das bandeiras defendidas pelo presidente Lula antes mesmo de ser eleito, o acordo entre o Mercosul e a União Europeia pode abrir uma janela de oportunidades de US$ 100 bilhões (cerca de R$ 522 bilhões) em exportação do Mercosul para o bloco europeu.

    A informação consta em um estudo realizado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). “Ao se cruzar o Mapa de Oportunidades Globais da ApexBrasil com as listas de produtos com desgravação imediata (isenção) ou em até 4 anos do acordo, as importações da União Europeia identificadas como oportunidades chegam a 100 bilhões de dólares”, diz o documento.

    Ainda segundo a ApexBrasil, as exportações brasileiras desses produtos são tarifadas hoje em 4,5%, em média. Com o fim desta cobrança, segundo o estudo, a competitividade do Brasil em relação a outros parceiros comerciais do bloco deve aumentar.

    Dos US$ 100 bilhões que podem ser agregados pelo Mercosul, dos produtos já importados pela União Europeia, apenas US$ 3,5 bilhões são provenientes do Brasil. Com o acordo econômico, o país pode até dobrar a participação em importações no mercado europeu.