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    Lula sugere BNDES para construção de uma poupança dos países da América do Sul

    Declaração foi feita durante a reunião de cúpula dos líderes sul-americanos no Palácio Itamaraty, em Brasília

    Presidente propôs colocar a poupança regional a serviço do desenvolvimento econômico por meio dos bancos de desenvolvimento
    Presidente propôs colocar a poupança regional a serviço do desenvolvimento econômico por meio dos bancos de desenvolvimento Foto: Ricardo Stuckert

    Diego Mendesda CNN São Paulo

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sugeriu a utilização do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para auxiliar na criação de uma poupança regional para serviço do desenvolvimento econômico e social no Mercosul.

    A declaração foi feita durante a reunião de cúpula dos líderes sul-americanos no Palácio Itamaraty, em Brasília, nesta terça-feira (30).

    Lula propôs “colocar a poupança regional a serviço do desenvolvimento econômico e social, mobilizando os bancos de desenvolvimento” como a CAF (Corporación Andina de Fomento), com sede na Venezuela; o Fonplata (Fundo Financeiro para Desenvolvimento da Bacia do Prata), na Bolívia; o Banco do Sul, também com sede na Venezuela; e o brasileiro BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para uma poupança regional a serviço do desenvolvimento econômico e social.

    Além disso, Lula também voltou a defender a criação de uma moeda unificada no Mercosul.

    Em seu discurso de abertura, Lula elencou as propostas econômicas para o bloco. Dentre elas, sugeriu aprofundar a “identidade sul-americana também na área monetária, mediante mecanismo de compensação mais eficiente e a criação de uma unidade de referência comum para o comércio, reduzindo a dependência de moedas extrarregionais”.

    Em complemento, considerou também “implementar iniciativas de convergência regulatória, facilitando trâmites e desburocratizando procedimentos de exportação e importação de bens”.

    “Entendemos que a integração sul-americana é essencial para o fortalecimento da unidade da América Latina e do Caribe. Uma América do Sul forte, confiante e politicamente organizada amplia as possibilidades de afirmar, no plano internacional, uma verdadeira identidade latino-americana e caribenha”, disse Lula.

    No entanto, o presidente do Brasil ressaltou que novas iniciativas precisam ser tomadas para aumentar a atividade da reunião de países. “A integração da América do Sul depende desse sentimento de pertencer a uma mesma comunidade”.

    Ele relembrou que, por mais de dez anos, a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) permitiu aos países se conhecerem melhor e consolidar laços por meio de amplo diálogo político que acomodava diferenças e permitia identificar denominadores comuns. “Implementamos iniciativas de cooperação em áreas como saúde, infraestrutura e defesa”.

    “Essa integração também contribuiu para ganhos comerciais importantes. Formamos uma robusta área de livre-comércio, cujas cifras alcançaram valor recorde de US$ 124 bilhões em 2011”.

    Confira as propostas de Lula aos líderes de Estados que estavam presentes na reunião:

    • Colocar a poupança regional a serviço do desenvolvimento econômico e social, mobilizando os bancos de desenvolvimento como a CAF, o Fonplata, o Banco do Sul e o BNDES;
    • aprofundar a identidade sul-americana também na área monetária, mediante mecanismo de compensação mais eficiente e a criação de uma unidade de referência comum para o comércio, reduzindo a dependência de moedas extrarregionais;
    • implementar iniciativas de convergência regulatória, facilitando trâmites e desburocratizando procedimentos de exportação e importação de bens;
    • ampliar os mecanismos de cooperação de última geração que envolva serviços, investimentos, comércio eletrônico e política de concorrência;
    • atualizar a carteira de projetos do Conselho Sul-Americano de Infraestrutura e Planejamento (Cosiplan), reforçando a multimodalidade e priorizando os de alto impacto para a integração física e digital, especialmente nas regiões de fronteira;
    • desenvolver ações coordenadas para o enfrentamento da mudança do clima;
    • reativar o Instituto Sul-Americano de Governo em Saúde, que permitirá adotar medidas para ampliar a cobertura vacinal, fortalecer o complexo industrial da saúde e expandindo o atendimento a populações carentes e povos indígenas;
    • lançar a discussão sobre a constituição de um mercado sul-americano de energia que assegure o suprimento, a eficiência do uso dos recursos, a estabilidade jurídica, preços justos e a sustentabilidade social e ambiental;
    • criar programa de mobilidade regional para estudantes, pesquisadores e professores no ensino superior, algo que foi importante na consolidação da União Europeia;
    • e retomar a cooperação na área de defesa com vistas a dotar a região de maior capacidade de formação e treinamento, intercâmbio de experiências e conhecimentos em matéria de indústria militar, de doutrina e políticas de defesa.