Mercado duvida de pré-candidatura de Flávio após recuo e PL da Dosimetria

Polymarket, em que operadores negociam contratos conforme resultado de eventos futuros, mostra queda nas apostas na candidatura de Flávio Bolsonaro após eventos

Danilo Moliterno, da CNN Brasil, São Paulo
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O mercado financeiro passou a duvidar da possibilidade de o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de fato concorrer ao Palácio do Planalto em 2026 depois de recuos em falas públicas do filho mais velho de Jair Bolsonaro e da aprovação pela Câmara dos Deputados do projeto de lei (PL) da Dosimetria.

O sentimento do mercado é capturado pelo Polymarket, plataforma em que usuários negociam contratos que pagam conforme resultados de eventos futuros. Uma seção traz as apostas de operadores para as eleições presidenciais no Brasil em 2026.

Na manhã do último sábado (6), horas após Flávio confirmar sua candidatura, as apostas em sua eleição chegaram a 14% — sendo que antes disso não chegavam a 2%. Ao mesmo tempo, o percentual do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, despencou de 35% para 21%.

Após Flávio recuar e dizer que há um “preço” para sua candidatura, com menção ao PL da Anistia aos condenados pelo 8 de janeiro, e a aprovação pela Câmara dos Deputados da “versão light” do projeto, as apostas no senador recuam a 9%, enquanto Tarcísio se recupera a 26%.

A Câmara aprovou na madrugada desta quarta-feira (10) o PL da Dosimetria, que reduz penas dos envolvidos no 8 de Janeiro. A leitura do mercado é de que o projeto poderia beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro e assim “pagar o preço” para Flávio retirar sua pré-candidatura.

Isso é o que indicam operadores consultados pela CNN. Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, afirma que especialmente entre os operadores que veem nos governadores de centro-direita uma opção eleitoral mais “reformista” há o sentimento de que a pré-candidatura “não decolará”.

No Polymarket, Flávio aparece empatado com Renan Santos, pré-candidato do recém-criado partido Missão. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera com 48% das apostas.

Mercado prefere governadores

Após a candidatura de Flávio, o Ibovespa passou a cair, e o dólar, a subir. A leitura do mercado é de que a candidatura do primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro significaria a manutenção da polarização política no Brasil e reformas econômicas, especialmente fiscais, mais distantes.

“Flávio não teria uma visão para as reformas econômicas que Tarcísio [de Freitas, governador de São Paulo] ou outros governadores teria”, disse Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados

Além disso, a percepção dos operadores é de que, em um hipotético segundo turno diante do petista, Flávio seria menos competitivo. A avaliação é de que os governadores de centro-direita que sinalizam candidatura teriam mais potencial para atrair o eleitorado de centro.

“A leitura é que um filho do ex-presidente Bolsonaro pode chegar ao segundo turno, mas não seria competitivo para vencer as eleições. E o mercado prefere algum dos governadores”, disse Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos.

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