Mesmo que chova, conta de luz deve seguir alta até o fim do ano, diz economista

À CNN Rádio, Virginia Parente afirmou que não há ‘bola de cristal’ para prever como será temporada de chuvas

Amanda Garcia e Bel Campos, da CNN, em São Paulo
Energia elétrica
Energia elétrica deve seguir mais cara ao menos até o final deste ano, segundo a especialista  • Fernando Frazão/Agência Brasil
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Em entrevista à CNN Rádio nesta sexta-feira (27), a economista e professora do Instituto de Energia e Ambiente da USP, Virginia Parente, afirmou que as tarifas mais caras da conta de luz vão continuar em vigor até ao menos o final do ano.

“Mesmo que chuvas comecem, a bandeira talvez passe para vermelha 1 ou até amarela, mas não tem bola de cristal sobre a previsão para a próxima estação chuvosa. Até lá, a gente precisa fazer o dever de casa”, disse.

Atualmente, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) estabeleceu a bandeira vermelha 2, que representa uma cobrança adicional de R$ 9,492 para cada 100 kWh consumidos -- a expectativa é de que este valor fique mais caro, com anúncio que deve acontecer ainda nesta sexta-feira.

Seca histórica

A seca histórica pela qual o Brasil passa pressiona o setor energético. “É uma situação preocupante, porque energia é uma infraestrutura essencial, todos nós contamos com ela e é primordial, como para refrigeração de alimentos, aquecimento, tantas outras atividades, os reservatórios estão em níveis baixíssimos e estamos no meio do período seco”, afirmou a economista.

De acordo com Virginia, “a sinalização de preços é importante para que haja coordenação pelo lado da demanda.”

“É preciso que as pessoas se conscientizem, e elas respondem a preços mais altos. Quando nossa fruta preferida está mais cara na feira, frequentemente desistimos e levamos a fruta da estação, é essa a situação, a sinalização é de que não é para consumir”, completou.

Ela cita “banhos mais curtos, usar aquecimento com parcimônia e de outros aparelhos que demandam energia”, mas admite que a tarifa alta “é uma medida que, infelizmente, vai afetar irremediavelmente as pessoas mais pobres, que terão uma fatia maior de salários já baixos para pagar energia.”

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