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    Meta fiscal tem alicerce frágil e gera preocupação a investidores, afirma Eduardo Leite

    Para governador do Rio Grande do Sul, existe "temor" de que o "pouco apreço" do PT pelo equilíbrio fiscal provoque aumento de despesas

    O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite
    O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite Felipe Dalla Valle/Palácio Piratin

    Amanda Sampaioda CNN

    em São Paulo

    O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), comentou nesta terça-feira (30) o resultado das contas públicas em 2023. Segundo dados do Tesouro, o déficit foi de R$ 230,5 bilhões, o segundo pior resultado desde o início da série histórica.

    Para Leite, o resultado deixa claro que há grandes desafios para o governo federal. No entanto, reconheceu que o número carrega o chamado “calote” do governo anterior.

    “A gente torce a favor. É muito importante que o país alcance esse equilíbrio fiscal, que sinalize compromisso com contas públicas equilibradas e que possa acenar para um cenário de maiores reduções nos juros”, pontuou.

    O governador destacou ainda que a meta fiscal para 2024 foi baseada em alicerces “frágeis”, o que gera preocupação. Segundo ele, existe um certo “temor” entre os investidores de que o “pouco apreço” do partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo equilíbrio fiscal possa pressionar um aumento de despesas durante o ano eleitoral.

    Por outro lado, Leite elogiou a postura do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, na condução de questões federativas.

    “O ministro da Fazenda tem sido bastante atencioso no que diz respeito a discussões sobre a dívida do Estado e da construção de soluções”, pontuou.

    Leite falou à CNN após participar de painel com o governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil), no evento Latin America Investment Conference, do Grupo UBS, em São Paulo.

    No evento, as autoridades criticaram alguns pontos da aprovação da reforma tributária.

    “Ao meu ver, no final, se fez uma reforma muito mais com o objetivo de dizer que ‘fizemos’ do que uma reforma estruturante e que pudesse modificar. E o grande sinal disso é remeter sua vigência para daqui a 10 anos”, afirmou Mendes.

    Para ele, uma transição longa significa que pode haver mudanças no fim do período, e que as consequências práticas para a economia brasileira precisarão ser avaliadas.

    “O sistema era caótico, todo mundo concordava com isso. Era um sistema que tinha danos maléficos à atividade empreendedora, mas, por outro lado, existe todo um entorno de arrecadação construído desse modelo que pode colapsar lá na frente a estrutura pública”, completou.

    Já Leite voltou a pontuar que é favorável à reforma tributária, mas citou que houve “contrabando de benefícios” para setores e regiões do país.

    “Eu tenho grande preocupação com os mecanismos de subsídios, que permanecem para determinadas atividades, especialmente para determinadas regiões do país. A gente não quer, de maneira nenhuma, colocar brasileiros contra brasileiros, mas não é simplesmente incentivando com benefícios fiscais que deveriam ter se encerrado”, pontuou, citando como exemplo os incentivos fiscais para as fábricas de veículos do Norte, Nordeste e Centro-Oeste, prorrogados até 2032.