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Ministério sinaliza que pode fazer ajustes no leilão de terminal em Santos

Governo prevê realizar o certame na primeira quinzena de março de 2026; TCU aprovou um modelo de concessão do Tecon Santos 10 em duas fases

Vitória Queiroz, da CNN Brasil, Brasília
Imagem aérea do Porto de Santos (SP)
Imagem aérea do Porto de Santos (SP)  • Porto de Santos (SP)
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O Ministério de Portos e Aeroportos informou nesta terça-feira (9) que o leilão do novo superterminal de contêineres no Porto de Santos (SP) deve ser realizado na primeira quinzena de março de 2026.

A previsão foi divulgada após deliberação do TCU (Tribunal de Contas da União) sobre o tema.

De acordo com o secretário nacional de Portos, Alex Ávilla, a equipe do Ministério de Portos e Aeroportos fará ajustes técnicos ao modelo do leilão do Tecon Santos 10. O órgão planeja publicar o edital até o final de janeiro. 

"Faremos os ajustes técnicos e adequação para a publicação do edital até o final de janeiro. Esperamos uma ampla participação no leilão, já que há muitas empresas nacionais e internacionais interessadas no certame. Sem dúvida, será o maior leilão da história e bastante competitivo”, disse o secretário em nota.

A tendência é que Ministério de Portos e Aeroportos defenda, nas discussões internas do governo, acatar a decisão do TCU e impor restrições no leilão do novo superterminal de contêineres no Porto de Santos, segundo apuração do CNN Money.

Na última segunda-feira (9), o TCU aprovou um modelo de concessão do Tecon Santos 10 em duas fases, tal como proposto pela Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários).

Na prática, a recomendação do tribunal barra a participação de gigantes do setor, como a suíça MSC e a dinamarquesa Maersk, no leilão.

O modelo proposto pela agência já previa um leilão em duas fases, com veto à entrada dos atuais operadores de terminais em Santos, na primeira etapa. Mas a decisão do TCU é mais restrita e estabelece barreiras de participação direcionadas às companhias de navegação em geral na primeira fase do leilão.

Mas há uma ala do governo que avalia haver brecha que pode contrariar a decisão do TCU e levar adiante um leilão sem restrições. Esses setores, incluindo a Casa Civil, entendem que o tribunal fez uma recomendação (de cumprimento não obrigatório) sobre o veto às companhias de navegação -- e não uma determinação (de caráter vinculante).

Caso o governo opte por um leilão aberto, poderá haver um desgaste político do ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho. O chefe da pasta já afirmou publicamente que respeitaria a decisão que o TCU tomasse sobre a concessão do superterminal. 

Em nota divulgada nesta terça-feira (9), o Ministério de Portos informou que "irá acolher as recomendações do TCU, entre as quais está o estabelecimento de uma outorga mínima, cujo principal objetivo é conciliar a atratividade do ativo para o mercado com o recebimento de um valor mínimo de outorga razoável para o erário, compatível com o porte do empreendimento."

O leilão do Tecon Santos 10 prevê mais de R$ 6 bilhões em investimentos e será o maior arrendamento da história do setor portuário brasileiro.

O novo terminal ampliará em cerca de 50% a capacidade de movimentação de contêineres no Porto de Santos, que está à beira de saturação para esse tipo de carga. O terminal acrescentará uma capacidade de 3,5 milhões de TEUs.

Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, será realizado em janeiro um roadshow com embaixadas e empresas interessadas no leilão e, em seguida, será publicado o edital de licitação.

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