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    Mobilização de fiscais persiste e setor de carnes relata prejuízo mensal de R$ 120 milhões

    Em entrevista à CNN, Ricado Santin, presidente da ABPA, afirma que os impactos da mobilização vão chegar às prateleiras

    Foram R$ 80 milhões em prejuízos nas exportações de carnes bovinas e cerca de R$ 40 milhões de perdas com o mercado de aves e suínos
    Foram R$ 80 milhões em prejuízos nas exportações de carnes bovinas e cerca de R$ 40 milhões de perdas com o mercado de aves e suínos 17/03/2020REUTERS/Pilar Olivares

    Danilo Moliternoda CNN

    São Paulo

    O setor de carne sofre consequências da mobilização dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (AFFAs) — que persiste há mais de um mês —, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Somente em fevereiro, as perdas somaram R$ 120 milhões.

    Foram R$ 80 milhões em prejuízos nas exportações de carnes bovinas e cerca de R$ 40 milhões de perdas com o mercado de aves e suínos. Em entrevista à CNN, Ricado Santin, presidente da ABPA, afirma que os impactos da mobilização inevitavelmente vão chegar às prateleiras.

    “Os prejuízos não somem, alguém os paga. As empresas conseguem absorver até determinado tamanho [de prejuízo], mas depois isso passa para os preços dos produtos”, disse.

    Em pleito pela readequação da carreira, os auditores têm levado ao limite de cinco dias o tempo médio de assinatura dos certificados, além de englobar os finais de semana no prazo. Assim, as empresas tem prejuízo em cadeia, com atraso na liberação dos veículos rodoviários e necessária reorganização do sistema logístico.

    Santin destaca que a Associação vê a demanda da categoria como legítima, mas diz que o pleito não pode levar prejuízos às empresas e aos consumidores. Segundo estimativas do setor, em março as perdas devem superar às de fevereiro — o que será uma tendência mês a mês.

    O Ministério da Agricultura, especialmente através do titular, Carlos Fávaro, mantém diálogo com a categoria. O governo federal apresentou uma proposta de readequação de carreira aos auditores agropecuários, mas a possibilidade foi rejeitada.

    O presidente da ABPA diz que conversou com o vice-presidente, Geraldo Alckmin, sobre o cenário na última quinta-feira (21), a fim de sensibilizar a gestão federal. Ele apresentou dados sobre a contribuição do setor para a balança comercial e ressaltou: caso os impasses à exportação brasileira remanesça, os importadores procurarão outros contratos.

    O Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical) destaca que sua “operação reestruturação” não consiste em paralisações ou greve.

    “Os auditores têm deixado de cumprir apenas horas extras não remuneradas, mas continuam respeitando os prazos previstos em normas do Ministério da Agricultura e Pecuária para a liberação de certificados e mercadorias, como, por exemplo, cargas para exportação nos portos brasileiros”, aponta.

    A carreira se diz aberta à negociação, mas afirma que até o momento não houve “proposta razoável de reestruturação”.

    Atualmente, o país possui 2,3 mil auditores agropecuários para auditar e fiscalizar portos, aeroportos, zonas de fronteira, plantas de frigoríficos, agroindústrias, campos de produção e demais. Segundo o sindicato, cerca de 20% deste total está apto a se aposentar e os processos de reposição via concurso não estão caminhando.