Molica: Contabilidade criativa em PEC dos Precatórios não resolve crise social

No quadro Liberdade de Opinião, jornalista Fernando Molica analisou sinalização de Bolsonaro sobre aumentar salários do funcionalismo público

Da CNN Brasil, Em São Paulo
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No quadro Liberdade de Opinião desta quarta-feira (17), o jornalista Fernando Molica repercutiu a fala do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), sobre dar um aumento para todo o funcionalismo público, caso a PEC dos Precatórios passe no Senado. O movimento é visto como uma tentativa para ganhar mais apoio na aprovação da proposta.

A proposta de Orçamento para 2022, enviada em agosto ao Congresso, não previa reajuste para os servidores públicos. Segundo entidades sindicais, a última recomposição salarial para 80% dos servidores aconteceu em 2017.

"Quando Bolsonaro coloca a possibilidade de aumento de servidores, que estão há muito tempo sem aumento, a exceção dos militares, ele tenta mais apoio e, claro, joga para a eleição do ano que vem", avaliou Molica. "Semana passada, um colega em Brasília falou que era a PEC 'coração de mãe': sempre cabe mais um."

"O governo tenta criar esse espaço [fiscal na proposta], mas o espaço vai ficando muito grande. Seriam R$ 90 bilhões que a PEC possibilitaria graças ao calote nos precatórios. Desses, R$ 40 bilhões são para pagar o Auxílio Brasil. Aí vem a prorrogação da desoneração do grupo de empresas e, agora, isso."

"É muito dinheiro. Como que vai caber tudo isso na PEC? Vimos que tem mudança para tirar os precatórios da PEC dos Precatórios. Começa a contabilidade criativa: a ideia de pegar uma nota de dinheiro e ficar esticando para ver se o valor aumenta", disse o jornalista.

"É uma situação séria e não resolve a questão da grave crise social. Entre as pessoas que recebem o auxílio emergencial e as que vão receber Auxílio Brasil, tem uma diferença de 17 milhões de famílias. É muita gente que não conseguiu se realocar no mercado de trabalho e muito por conta das dificuldades criadas pelo próprio governo com a instabilidade política."

O Liberdade de Opinião teve a participação de Fernando Molica e Ricardo Baronovsky. O quadro vai ao ar diariamente na CNN.

As opiniões expressas nesta publicação não refletem, necessariamente, o posicionamento da CNN ou seus funcionários.

(Publicado por: André Rigue)

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