Momento é mais difícil desde 2ª Guerra, diz CEO do Fórum Econômico Mundial

Børge Brende analisou situação geopolítica e econômica global e considera que mundo está em “desordem”

Gustavo Zanfer, da CNN Brasil, em São Paulo
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O CEO do Fórum Econômico Mundial, Børge Brende, afirmou que o momento vivido pelo mundo hoje é o mais difícil desde a Segunda Guerra Mundial, e que a economia segue crescendo mesmo em meio à “desordem”.

Durante encontro com jornalistas em São Paulo nesta quarta-feira (5), Brende disse que existe resiliência econômica em um ano marcado pela política tarifária dos Estados Unidos e guerra comercial com a China e outros países.

“Muitas nações parecem ter encontrado uma forma de lidar com isso [conflitos comerciais], então há um novo capítulo que se aproxima”, disse o CEO.

À CNN Brasil Money, Brende destacou a importância de encontros como o do Fórum Econômico Mundial neste momento de “desordem”, em que “é extremamente importante que nos juntemos para dialogar, e é por isso que estamos vendo número recorde de participação na nossa reunião anual”.

“Realmente precisamos descobrir como nós, mesmo em um mundo polarizado, podemos trabalhar juntos onde há fortes encontros de interesses.”

Brende opinou que um dos maiores desafios enfrentados pelas economias é a dívida global, cujo pagamento de juros ocupa maior parte das despesas de muitos países, e que é necessário retomar o controle.

“Não vemos tanta dívida global desde 1945”, alertou.

Dados do IIF (Instituto de Finanças Internacionais) apontam para um salta da dívida global em mais de US$21 trilhões no primeiro semestre de 2025, acumulando um total de US$337,7 trilhões.

Por outro lado, para o CEO, o crescimento econômico global “não é tão ruim” e segue resiliente, apesar de entraves como a política tarifária dos Estados Unidos.

Em outubro, o FMI (Fundo Monetário Internacional) elevou a previsão de crescimento real do PIB mundial em 2025 para 3,2%, acima da previsão de 3,0% em julho, e também da estimativa de 2,8% de abril, após a imposição das tarifas recíprocas em escala global pelo presidente Donald Trump, em meio a retaliações contra a China.

A previsão é de um crescimento global de 3,1% em 2026.

Bolhas nos mercados financeiros

O CEO do Fórum alertou para possíveis bolhas nos mercados financeiros, como as de criptografia, a bolha da Inteligência Artificial e uma bolha de dívida.

Analistas ouvidos pela CNN Brasil Money consideram que quedas bruscas não são motivo de pânico, mas de cautela no mercado, enquanto investidores apostas cada vez mais em tecnologias de IA.

A IA oferece a possibilidade de ganhos expressivos de produtividade, ao mesmo tempo em que ameaça empregos, disse Brende.

"Na pior das hipóteses, o que se pode observar é que existe um 'cinturão de ferrugem' nessas grandes cidades que têm muitos escritórios de apoio com trabalhadores de colarinho branco que podem ser mais facilmente substituídos por IA e pelo aumento da produtividade", disse o CEO.

"Também sabemos pela história que as mudanças tecnológicas ao longo do tempo levam ao aumento da produtividade, e a produtividade é a única maneira de aumentar a prosperidade ao longo do tempo", acrescentou.

O Fórum Econômico Mundial de 2026 será realizado no mês de janeiro em Davos-Klosters, na Suíça, com o tema "Uma Espírito de Diálogo".

O evento reunirá mais de 2.500 líderes globais para discutir temas como inovação e tecnologia, sustentabilidade, estímulo ao crescimento econômico e resposta a choques geopolíticos.

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