Morgan Stanley: "chipflação" da IA se espalha de data centers para economia

Analistas alertaram que fabricantes de dispositivos de smartphones a PCs são forçados a escolher entre aumentar os preços ou aceitar margens mais reduzidas

Reuters
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Os analistas do Morgan Stanley alertaram que os preços disparados dos chips de memória, impulsionados pela enorme demanda por IA, correm o risco de alimentar a "chipflação". O banco justifica que os fabricantes de dispositivos de smartphones a PCs são forçados a escolher entre aumentar os preços ou aceitar margens mais reduzidas.

O Morgan Stanley informou na terça-feira (2) que os preços dos chips de memória dispararam seis vezes no último ano, já que os fabricantes têm dificuldade para acompanhar o aumento dos gastos das grandes empresas de tecnologia em infraestrutura de IA e priorizaram chips de data center com margens maiores em relação aos usados em dispositivos do dia a dia.

"O que começou como um gargalo na infraestrutura de IA agora se espalha para margens de hardware, acessibilidade de dispositivos, custos em nuvem, inflação e políticas", disse Morgan Stanley em uma nota de 66 páginas, acrescentando que a crise "se tornou uma preocupação macroeconômica."

É certo que alguns fabricantes de chips estão construindo capacidade, mas os analistas disseram que isso provavelmente levaria anos, dado o custo e a complexidade de instalar novas fábricas.

Diferente dos ciclos anteriores de boom e queda, o banco afirmou que o atual aumento pode ser um "reset duradoura de oferta e demanda", à medida que grandes empresas de nuvem e IA bloqueiam a capacidade por meio de acordos de longo prazo e outros compromissos, deixando os compradores tradicionais disputando um pool de oferta menor, mais restrito e mais volátil.

Embora o impacto direto sobre a inflação do consumidor possa ser limitado, a pressão está se manifestando nos preços ao produtor, margens corporativas, custos em nuvem, gastos de capital e atrasos no lançamento de novas tecnologias, escreveu a corretora.

Empresas de eletrônicos de consumo, desde a fabricante da PlayStation Sony Group até a gigante de PCs Lenovo já aumentaram os preços, enquanto as grandes empresas de tecnologia sinalizaram bilhões de dólares em investimentos adicionais devido ao aumento dos preços da memória.

A Microsoft, por exemplo, disse em abril que cerca de 25 bilhões de dólares dos seus 190 bilhões de dólares gastos este ano virão do aumento dos preços dos chips.

A empresa de pesquisa IDC estimou que tanto os mercados de PCs quanto de smartphones encolherão drasticamente em 2026, à medida que a alta dos preços desencoraja potenciais compradores, especialmente nos segmentos mais baixos.

"Os produtores de memórias se beneficiam de preços, margens e visibilidade mais fortes. Empresas de hardware a jusante devem absorver custos, repassá-los, redesenhar produtos ou correm o risco de destruição da demanda", segundo Morgan Stanley.

O relatório apontou para fabricantes de chips de memória dinâmica como Samsung Electronics, SK Hynix e Micron, que juntas controlam quase 90% da produção global e cujas ações mais que triplicaram este ano.

As tensões entre EUA e China sobre chips e restrições às exportações estão fragmentando as cadeias de suprimentos e apertando o fornecimento, enquanto os subsídios oferecem pouco alívio a curto prazo, já que a nova capacidade levará tempo, disse a corretora.

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