Mudança no IR é "puxadinho mal feito", diz Lisboa à CNN

Economista afirma que falta na reforma "muito trabalho tributário" necessário para atender complexidade do imposto

João Nakamura e Muriel Porfiro, da CNN, em São Paulo
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O governo tem como uma de suas principais agendas hoje a reforma do IR (Imposto de Renda) para isentar do tributo os contribuintes que recebam até R$ 5 mil.

Marcos Lisboa, ex-secretário do Ministério da Fazenda e ex-presidente do Insper, disse ao CNN Money que não chamaria o projeto de uma reforma, mas sim "de um puxadinho mal feito".

Em entrevista exclusiva nesta segunda-feira (14), o economista avaliou que o IR é uma contribuição "incrivelmente" complexa no mundo, e que para mexer nele seria necessário "muito trabalho tributário". Lisboa observa que "isso não está na reforma".

Com novas faixas de contribuição para cidadãos mais ricos, o ex-secretário da Fazenda aponta que o projeto "confunde o tamanho das pessoas com tamanho das empresas, o tamanho dos acionistas com tamanho da empresa".

"Num país que tem mercado de capitais, pode ter acionista grande em empresa pequena, e vice-versa. Fundos de pensão que são acionistas pequenos", explicou.

Lisboa ponderou que a "confusão" deve acabar gerando distorções. "É um projeto que não enfrenta os problemas graves do país, promete muito e entrega pouco", pontuou.

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