Mudanças climáticas ameaçam 4% do PIB global, estima novo estudo

Países de renda média e baixa provavelmente terão perdas no Produto Interno Bruto 3,6 vezes maiores, em média, do que as de nações mais ricas

Por Marc Jones, da Reuters
Compartilhar matéria

Por Marc Jones

LONDRES (Reuters) - As mudanças climáticas podem causar uma perda de 4% da produção econômica global anual até 2050 e atingir muitas partes mais pobres do mundo de forma desproporcional, estimou um novo estudo abrangendo 135 países.

A agência de classificação de risco S&P Global, que dá aos países pontuações de crédito com base na saúde de suas economias, publicou um relatório na terça-feira (26) analisando o provável impacto econômico do aumento do nível do mar e de ondas de calor, secas e tempestades mais regulares.

Em um cenário base em que os governos evitam, em grande parte, novas políticas consideráveis de mudança climática, os países de renda média e baixa provavelmente terão perdas no Produto Interno Bruto (PIB) 3,6 vezes maiores, em média, do que as de nações mais ricas.

A exposição de Bangladesh, Índia, Paquistão e Sri Lanka a incêndios florestais, inundações, grandes tempestades e também à escassez de água significa que o sul da Ásia tem de 10% a 18% do PIB em risco, aproximadamente o triplo da porcentagem ameaçada da América do Norte e 10 vezes mais que a taxa da região menos afetada, Europa.

As regiões de Ásia Central, Oriente Médio e Norte da África e África Subsaariana também enfrentam perdas consideráveis. Os países do Leste Asiático e do Pacífico enfrentam níveis de exposição semelhantes aos da África Subsaariana, mas principalmente por causa de tempestades e inundações, em vez de ondas de calor e secas.

"Em diferentes graus, este é um problema para o mundo", disse o principal analista de crédito governamental da S&P, Roberto Sifon-Arevalo. "Uma coisa que realmente salta aos olhos é a necessidade de apoio internacional para muitas dessas partes (mais pobres) do mundo".

Os países na região da Linha do Equador ou pequenas ilhas tendem a estar mais em risco, enquanto as economias mais dependentes de setores como a agricultura provavelmente serão mais afetadas do que aquelas com grandes setores de serviços.

Acompanhe Economia nas Redes Sociais