Na Pré-COP, Haddad defende reforma de bancos multilaterais e supertaxonomia
Ministro da Fazenda lidera o Círculo de Ministro de Finanças da COP30, iniciativa do Brasil para ampliar o financiamento climático, dentre outras ações para a agenda da conferência
No evento da Pré-COP em Brasília, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse ser possível trilhar uma estratégia comum, com ambição e realismo, para que as finanças auxiliem na transformação ecológica. O evento funciona como uma etapa de preparação para a COP30, que ocorrerá em novembro, em Belém (PA).
“Às vésperas da COP30, levamos a Belém uma mensagem clara: há um caminho comum sendo construído, com ambição e realismo, para que as finanças sirvam à transformação ecológica que o mundo exige”, disse o ministro da Fazenda nesta segunda-feira (13).
Haddad lidera o Círculo de Ministro de Finanças da COP30, iniciativa da presidência brasileira para discutir diversos mecanismos financeiros para o clima e subsidiar discussões específicas da COP30.
Entre eles, está a elaboração do Mapa do Caminho de Baku a Belém para US$ 1,3 trilhão, cujo objetivo é aumentar o financiamento climático para países em desenvolvimento.
O relatório do Círculo apresenta cinco prioridades para ampliar o financiamento aos países em desenvolvimento:
- Aumentar os fluxos de financiamento concessional e os fundos climáticos, garantindo previsibilidade e condições adequadas, sobretudo para adaptação e transição justa;
- Reformar os bancos multilaterais de desenvolvimento, tornando-os mais ágeis, integrados e aptos a catalisar capital privado;
- Fortalecer as capacidades domésticas e as plataformas de país, ampliando a coordenação institucional e a atratividade de investimentos sustentáveis;
- Promover inovação financeira e mobilizar o setor privado, com instrumentos que reduzam riscos e multipliquem o impacto dos recursos disponíveis;
- Aprimorar os marcos regulatórios do financiamento climático, garantindo integridade, interoperabilidade e transparência — e fortalecendo a confiança no sistema.
Além do documento, o Círculo de Ministro de Finanças da COP30 também tem conduzido a elaboração de três iniciativas estratégicas para a Agenda de Ação da COP30:
- O Fundo Florestas Tropicais para Sempre, que propõe um novo modelo de financiamento baseado em investimento — e não apenas em doações;
- A Coalizão Aberta para Integração dos Mercados de Carbono, voltada à harmonização e interoperabilidade dos mercados regulados;
- E a Supertaxonomia, destinada a assegurar comparabilidade e integridade entre taxonomias nacionais, orientando investimentos sustentáveis.
“Essas iniciativas traduzem, de forma prática, o que o Círculo tem defendido: cooperação, inovação e escala para transformar ambição em resultados concretos”, disse Haddad nesta segunda-feira (13).
O relatório final do Círculo será apresentado nesta semana em Washington, durante os Encontros Anuais do Banco Mundial e do FMI (Fundo Monetário Internacional). O documento contou com a participação de ministérios da Fazenda, bancos multilaterais, sociedade civil, setor privado e organismos internacionais.
Após a apresentação nos Estados Unidos, o documento final e a Agenda de Ação serão alvo de discussão em São Paulo, antes de ser formalmente entregue ao Presidente da COP em Belém, como contribuição à construção do Mapa do Caminho de Baku a Belém para US$ 1,3 trilhão.
O trabalho do Círculo de Ministro de Finanças recebeu mais de 1.200 contribuições de instituições e países.


